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Resenha: Caress Of Steel (1975)

Álbum de Rush

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O Trio apresenta seu progressivo melódico e complexo!

Por: Márcio Chagas

29/05/2021

O terceiro disco do Rush apresenta aos fãs uma nova sonoridade totalmente diferente dos discos anteriores, algo que seria uma constante nos trabalhos do grupo, que trocou o hard rock dos dois primeiros trabalhos por um som mais progressivo e trovador, inspirado em medalhões como Genesis, Yes e ELP.


O grupo começou a escrever as canções ainda durante a turnê de Fly by Night, se aprofundando em canções mais complexas e menos diretas. As letras também se modificaram, investindo em conceitos fantásticos e viagens a procura do autoconhecimento, típicos das bandas do estilo.


O grupo entrou no Toronto Sound Studios novamente sob o olhar atento do produtor Terry Brown e celebrou uma nova e longínqua parceria: A com o artista canadense Hugh Syme, que idealizou na capa a concepção criada pelos músicos para o novo disco.


Embora seja orientado para o prog rock, “Caress of Steel”, começa metendo o “pé na porta” com "Bastille Day", onde o trio demonstra suas influências hard como Led Zeppelin e Blue Cheer. A letra sobre a revolução francesa caiu como uma luva para o arranjo pesado;  "I Think I'm Going Bald”  tem uma levada cadenciada, muito influenciada pelo primeiros álbuns do Kiss, banda que o Rush havia feito os shows de abertura nos EUA;


“Lakeside Park” tem melodia agradável e letra que fala de um parque em Ontário, onde Peart havia crescido. Geddy já deu declarações que não gosta da canção, mas não há duvida que se tornou uma das faixas clássicas da primeira fase do trio; E então temos a primeira suíte do disco e do grupo: “The Necromancer” tem 12 minutos e é dividida em três partes. Possui todas as nuances de uma suíte progressiva, com variações de ritmos, mudanças de andamento e sua letra faz referencia a triologia literária do “Senhor dos Anéis”. O necromante é um pseudônimo usado pelo personagem Sauron no romance “O Hobbit” de Tolkien;

 
"The Fountain of Lamneth" é divida em seis partes e pode ser considerado o tema mais progressivo composto pelo trio, possuindo quase vinte minutos e ocupando todo lado “B” do antigo vinil. É importante destacar o sincronismo em que a banda se encontrava, soando coesa mesmo nos arranjos mais complexos. Geddy Lee consegue desenvolver a sonoridade dos teclados com muita maturidade, principalmente se levarmos em conta que seu principal instrumento é o baixo. Neil Peart mostra bastante sensibilidade na condução dos tambores e demais percussões e Alex Lifeson estava completamente fissurado no som da guitarra de Steve Hackett (Genesis) como ele mesmo revelou a “Guitar Player” no ano de 1993: “Steve Hackett é tão influente e melódico. Acredito que fui mais influenciado por ele na época do Caress of Steel. Roubei seu estilo para o solo de No One at the Bridge”. A canção conta a história de um garoto que tenta descobrir o sentido da vida, sendo que no final, descobre que o sentido é a própria caminhada;


Embora tenha sido feito com arranjos complexos e elaborados, os fãs não entenderam a mudança tão brusca em sua sonoridade e o álbum vendeu menos que o disco anterior, causando grande decepção na gravadora. “Caress of Steel”, com sua sonoridade difícil demorou a se considerado um clássico pelos amantes da música, e mesmo nos dias de hoje é um dos poucos discos do grupo a não ter conquistado platina nos EUA.


Eu considero um álbum irrepreensível, e uma das grandes referências ao estilo denominado prog metal, que viria a ser criado nos anos seguintes.

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