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Resenha: Druckfarben (2011)

Álbum de Druckfarben

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Não é essencial, mas é um bom hard rock com tendências progressivas sinfônicas

Por: Tiago Meneses

28/05/2021

Embora fundada no ano de 2007, Druckfarben faz parte do grupo de inúmeras bandas que consegue executar até certo ponto muito bem a sua marca progressiva vintage, mas também como ocorre com muitas bandas contemporâneas, eles optam mais pela emulação do que a inovação.  

Trata-se de uma banda formada entre amigos, sendo que seu som reflete isso muito bem. A musicalidade encontrada aqui é admirável, uma espécie de mistura entre o hard rock e algumas tendências progressivas sinfônicas, algo como se posicionar em uma encruzilhada entre o Yes, Rush e Kansas. É inegável que William Hare possui um grande domínio do órgão em linhas impressionantes, assim como Ed Bernard demonstra uma grande versatilidade na guitarra, além de um bom feeling. Verdade seja dita, no que diz respeito as habilidades dos músicos, não têm como querer falar mal, afinal, cada um dos membros desempenha o seu papel muito bem. A produção do disco também é muito boa e consegue colocar um brilho extra no resultado final.  

“ELPO” é a faixa que inicia o disco e que o próprio nome já sugere que se trata de uma brincadeira com o ELP, por meio de alguns floreios grandiosos de bateria e uma verdadeira ginástica no órgão. A guitarra também é bastante técnica e o baixo possui linhas poderosas. Só não sei o que pode indicar o “O” no nome da peça. “Influenza” é uma música onde existe uma união da música country como se fosse tocada por Steve Howe com um funk rock mais pesado, pela primeira vez aparece o vocal de Phil Naro, um tenor rico e forte. Destaque também para alguns teclados deslumbrantes e um trabalho de baixo bastante dinâmico.  

“Smaller Wooden Frog” possui uma ótima e longa introdução em que é possível notar alguma influência na música do The Flower Kings. Traz excelentes e estonteantes mudanças rítmicas, além de uma grande variedade de sons. “Dead Play Awake” é possível notar nessa faixa algumas semelhanças com Blue Oyster Cult, mas no caso como se John Wetton fosse o vocalista. Destaque para a sua seção intermediário em que uns adornos de piano colocam brilho à canção, além de um solo de guitarra impressionante.  

“Walk Away” é um rock de arena mais direto e que pode ser comparado facilmente ao Yes liderado por Trevor Rabin. Não há muito o que dizer aqui. “Seems So Real” a princípio parece evocar o Gentle Giant, aplicando uma variedade de teclados. O baixo também merece uma menção, pois é executado de uma maneira peculiar antes que a peça se torne mais um rock bastante simples. Gosto muito do refrão dessa música.  

“Nat Nayah”, por meio de guitarra e piano que soam alegremente limpos, essa música tem uma linha que parece ter saído do disco Talk do Yes – o que infelizmente não é nenhum elogio, embora também não precise considerar a pior coisa do mundo. “Sons Of Anakim” é sem dúvida alguma o ponto mais baixo de todo o disco. Alguns vocais estridentes e riffs nada chamativos compõe essa peça, onde quase nada funciona. Mas por que quase? Apesar de tudo, ainda há umas partes instrumentais interessantes, mas que se perdem em meio à desordem em que a música foi criada. “Nonchalant” é a peça que fecha o disco com uma sonoridade de muito frescor. Predominantemente acústica, apresenta um bandolim e violino muito bonitos, além de um refrão muito bom.  

Embora o Yes parece ser a principal influência da banda, não tem como falar de um grupo de rock progressivo formado em Toronto que não tenha também seus acenos ao Rush, né? É possível notar algumas guitarras que parecem terem sido extraídas do Hemispheres. Alguns vocais bastante alto – embora diferentes em relação ao de Geddy Lee - podendo ser comparados com Jon Anderson, mas sempre agraciados com um sotaque canadense.  

Devo admitir que nenhuma dessas músicas do disco fixou instantaneamente na minha cabeça, mesmo as ouvindo inúmeras vezes. A banda usa de arranjos fortes, fazendo com que cada membro da banda mostre suas habilidades. Enfim, todos eles certamente possuem um bom ouvido musical, porém, esse ouvido parece cheio demais com sons de outras bandas, ao mesmo tempo que parece vazio quando o assunto é originalidade. Bom, mas não é essencial.

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