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Resenha: Grand Hotel (1973)

Álbum de Procol Harum

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A capacidade de transformar composições médias em músicas de alta qualidade

Por: Tiago Meneses

27/05/2021

Grand Hotel, sexto disco da banda inglesa Procol Harum, foi gravado com uma nova formação, trazendo Mick Grabham do Plastic Penny na guitarra e o baixista Alan Cartwright ao lado do vocalista/pianista Gary Brooker, também conta com o baterista B.J. Wilson e Chris Copping, que a partir daqui estava se concentrando exclusivamente no órgão. Na época de sua criação, a banda estava passando por um renascimento surpreendente, graças ao single, Conquistador – que continha a faixa título e a “Luskus Delph”, ambas ao vivo -, e as críticas elogiosas ao álbum sensacional Live In Edmonton. Eles responderam com um álbum elegante que estendeu o dedo médio firmemente na direção dos muitos detratores da banda. 

Grande Hotel tem início por meio da faixa título. A peça começa com um piano suave, mas logo o restante da banda se une a ele e a sonoridade fica poderosa, transformando-a em um rock progressivo muito legal. Há uma mudança de direção com uma porção de cordas e vocais de coral. No meio a faixa ganha um tratamento clássico seguido de alguns esforços musicais evocativos. Esse começo de disco é extremamente expansivo e progressivo, sendo que de certa forma é possível perceber a peça passeando pelo território da Renaissance.  

“Toujours l'Amour” também começo com um piano, mas nesse caso ele soa mais animado e otimista, antes de receber a companhia dos demais instrumentos que uma peça poderosa com um arranjo completo e alguns bons momentos evocativos. Certamente representa um lado bem diferente da banda do que o apresentado pela faixa anterior.  

“A Rum Tale” possui a sua primeira parte baseada apenas em piano e vocal, algo que inclusive funciona muito bem. Conforme ela vai avançando, também vai crescendo em arranjo e se tornando uma peça típica da banda. Um rock progressivo clássico que é a cara da banda. “T.V. Ceasar” é mais uma música que se inicia com piano antes de ganhar uma cadencia muito agradável. O arranjo da peça vai se transformando em um progressivo sinfônico à medida que evolui.  

“A Souvenir of London”, o início ao piano encontrado em faixas anteriores, aqui dá lugar a uma vibração mais folk. Bateria e violões servem como um excelente plano de fundo para o vocal. É possível notar mais alguns elementos musicais antigos conforme a banda se desenvolve.  “Bringing Home The Bacon” apresenta o ar mais rocker do disco, tendo os elementos progressivos também tocados em abundância. Eu adoro o movimento mais acelerado e crescente encontrado nessa faixa. Destaque também para algumas guitarras matadoras e órgãos ácidos. Minha música preferida do álbum.  

 “For Liquorice John” é uma música bastante simples, mas de uma simplicidade muito bem encaixada no disco. Algo na linha folk progressiva tradicional de resultado lindíssimo. “Fires (Which Burnt Brightly)” é uma balada muito bonita e evocativa, com o uso de muitas cordas e vocais de coral, além de outros elementos adicionando uma sonoridade quase mágica. No final a peça ganha um seguimento mais rápido, ideia que eu achei excelente. Destaque também para as pinceladas de vocais femininos. “Robert's Box” traz com ela o final do disco. Possui uma sonoridade mainstream que soa bem cativante em alguns pontos. As invertidas sinfônicas mais para o final da música fazem com que o disco termine com muita classe.  

Eu admito que não sou exatamente alguém que podemos chamar de especialista em Procol Harum, mas não acho exagero considerar Grand Hotel uma das melhores realizações da banda. Pra mim, a grandeza orquestral encontrada principalmente nos três primeiros discos, foi aperfeiçoada aqui. Talvez o álbum perca algumas das arestas dos álbuns anteriores, mas isso é totalmente compensado pela própria música, que simplesmente tem a capacidade de levar o ouvinte a órbita, com todas as suas melodias, harmonias e riquezas de som, sempre em cima de bons arranjos, que transformam composições médias em músicas de alta qualidade.

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