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Resenha: Thick As A Brick Live In Iceland (2014)

Álbum de Ian Anderson

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Melhor ficar com os ao vivos do passado

Por: Roberto Rillo Bíscaro

07/05/2021

Em agosto, de 2014, o eterno vocalista do Jethro Tull lançou Thick As a Brick – Live in Iceland. Louvável que tenha tanta garra para lançar material, promover e excursionar. Com competentes músicos e criativo uso da tecnologia – participação de violinista via Skype – a proposta era reproduzir o clássico de 1972 e a continuação de 2012 na íntegra o mais fidedignamente possível.

Instrumentalmente dá tudo certo, Thick As a Brick está mais longa que a original e tirando uns minutos tediosos de solo de bateria as passagens pastorais estão a contento e os diversos momentos de fúria flamejam. Anderson toca uma flauta louca; dá vontade de botar roupona medieval e segui-lo numa Cruzada. Considerando-se a faixa etária do roqueiro e da maioria de seus supostos fãs, o interlúdio incentivando o exame de próstata é compreensível.

A tarefa de executar ambos álbuns em sua completude seria desgastante para qualquer vocalista, mesmo no topo de sua habilidade vocal. Imagine para um homem berrando rock and roll há 50 anos, portanto, com a voz devastada. É o próprio Ian Anderson.

A relativa calma e maleabilidade de TAAB2 (composto na sexagenaridade de Ian) disfarçam um pouco, mas a performance em Thick As a Brick constrange. Voz rouca, desafinada, quebradiça, que por vezes declama a letra, sempre auxiliada por um companheiro de banda (que nem canta bem). Tira todo o tesão do álbum.

Poder-se-ia argumentar que um resenhista albino deveria ser mais clemente com limitações alheias. Sim, se a pretensão não tivesse sido clonar os álbuns. Ian Anderson funciona bem com a mágica de estúdio; ao vivo não dá para segurar a vibração dum monumento como Thick As a Brick.

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