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Resenha: Froot (2015)

Álbum de Marina & The Diamonds

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Madura fruta eletropop

Por: Roberto Rillo Bíscaro

03/05/2021

Em Froot Marina compôs tudo e dividiu a produção com um cara só, resultando em dúzia de canções mais coesas. As letras amadureceram e têm menos trocadilhos infames, mas também estão mais sombrias: “Underneath it all, we’re just savages/Hidden behind shirts, ties and marrriages”, canta ela na delícia pop Savages.

Ao invés de soar como Y ou Z, Diamandis agora se insere na tradição de cantoras, o que é muito diferente. Difícil não se lembrar de Kate Bush em Better Than That ou de Amy Winehouse, quando solta o ‘motherfucker’ em Can’t Pin Me Down, mas em ambas, a marca Marina and the Diamonds já é mais proeminente. A belíssima Happy ao mesmo tempo em que remete ao estilo de Annie Lennox tem o suficiente de Marina para lhe garantir Graça e Salvação eternas.

Froot é saltitante electro que viaja até o fim dos anos 70 para o eurodisco continental de artistas como as espanholas do Baccara (Yes Sir, I Can Boogie, de 1977). O peculiar (para nós, mais acostumados às variantes ianques/britânicas “da rainha”) sotaque galês realça a sensação de estarmos ouvindo uma perua ou traveca gringa cantando em inglês.

Com alcance vocal que vai do grave ao agudo de segundo a outro, Marina não precisa mais exagerar, porque é fruta mais madura; confira a intensa I’m a Ruin.

Froot, o álbum, é fruto de uma artista encontrando voz própria. Pode não ser imediatamente viciante como a estreia, mas tem mais personalidade e carece de momentos chatos como o segundo.

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