Para os que respiram música assim como nós


Resenha: The Joshua Tree (1987)

Álbum de U2

Acessos: 58


O álbum clássico do U2, com seus maiores hits!

Por: Márcio Chagas

02/05/2021

No meio da década 80 o U2 era considerado um dos grandes grupos de pop rock mundial. Sua notoriedade lhe rendiam extensas turnês pela América, onde passavam até cinco meses pela terra do Tio Sam, apresentando-se  nos mais diversos estados.

Esse tempo todo nos EUA acabou influenciando o vocalista Bono Vox, que passou a escrever letras que demonstravam suas percepções e diferenças sobre a América que acabara de conhecer e a que era vendida pela mídia ao restante do mundo. Assim, todas as letras do novo disco acabaram tendo um cunho político social muito forte, com críticas ao mercado econômico mundial ditado pelos EUA, apoio as minorias e temáticas espirituais, que fazem do álbum um verdadeiro documento historio do final da década de 80.

Musicalmente também vieram mudanças. O grupo entrou no estúdio com os mesmos produtores de seus dois últimos álbuns,  Brian Eno e Daniel Lanois, mas dispostos a investirem em uma nova sonoridade. Bono e Cia deixaram de lado o som experimental de “The Unforgettable Fire” e investiram em uma sonoridade mais melódica, com fortes influencias de blues e o folk americano e irlandês. 

A estrutura das canções são orientadas pela melodia e pelos vocais passionais de Bono, no auge da sua performance vocal. Um dos grandes destaques do disco é o guitarrista The Edge, que sempre foi limitado, mas sabe dosar sua técnica minimalista, criando camadas e efeitos que contribuem para a sonoridade do disco, utilizando ainda o piano em algumas passagens. Seu trabalho em todo o álbum mostra claramente que criatividade e bom gosto são muito mais importantes na construção de uma sonoridade que uma técnica apurada.

A cozinha formada pelo baixista Adam Clayton e Larry Mullen Jr. É simples, mas muito eficiente e coesa, dando suporte necessário aos temas. O produtor Eno aparece como convidado pilotando vários tipos de sintetizadores que conseguem dar acabamento e ambiência final as músicas.

O álbum acabou virando uma grande usina de hits. Veja só: As quatro primeiras faixas, “Where The Streets Have No Name”, “I Still Haven't Found What I'm Looking For”, “With Or Without You” e “Bullet The Blue Sky”  estão entra as mais conhecidas da banda, sendo que apenas “Bullet...” não foi lançada como single, mas todas representam bem a sonoridade do álbum. Inclusive esta ultima, com seus vocais densos, cantados sobre uma linha de baixo pesada e guitarras climáticas e claustrofóbicas é uma das minhas faixas favoritas do álbum;;

Em “Trip Through Your Wires” o grupo leva a influencia do folk americano no patamar mais elevado, coma gaita de Bono dividindo as atenções com seu vocal blasé; A climática “One Three Hill” exorciza um momento atribulado vivido por Bono: A morte de seu roadie e amigo Greg Carrol, em um acidente de motocicleta;

Vale citar também “Exit”, que ainda traz ecos de experimentalismo com a urgência do punk e a bucólica “Mothers of Disapear”, com sua letra densa, sobre mães que perderam seus filhos durante a guerra civil Salvadorenha;

A banda pensou em usar o titulo de “Desert Songs” para nomear o álbum, mas durante as fotos no deserto de Mojave, próximo a Califórnia, Bono conheceu a história da ‘árvore de Josué”, pequeno arbusto resistente e retorcido nomeado pelos mórmons. O vocalista gostou da simbologia do nome e sugeriu  que nomeassem o disco como “The Joshua Tree” e assim foi feito.

O álbum foi lançado 21 de março de 1987, e foi certificado como disco de platina no Reino Unido apenas 48 horas após seu lançamento, elevando  U2 a status de superbanda, com notoriedade mesmo fora da esfera musical.

A turnê do grupo foi uma das maiores até então, composta por 109 shows e tendo a banda tocando pela primeira fez em estádios e arenas. O álbum foi tão impactante que oito das onze faixas estavam presente no set list da turnê e apenas “Red Hill  Mining Town” não foi tocada nem uma vez.

Com “The Joshua Tree” o grupo atingiu seu ápice de criativo e popular e mesmo lançando ótimos discos, chamais conseguiram se igualar a este clássico.

As publicações de textos e vídeos no site do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do respectivo autor


Compartilhar

Comentar via Facebook

IMPORTANTE: Comentários agressivos serão removidos. Comente, opine, concorde e/ou discorde educadamente.
Lembre-se que o site do 80 Minutos é um espaço gratuito e aberto para que o autor possa dar a sua opinião. E você tem total liberdade para fazer o mesmo, desde que seja de maneira respeitosa.