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Resenha: Private Parts & Pieces VIII - New England (1992)

Álbum de Anthony Phillips

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Um exemplar clássico e altamente recomendado de Anthony Phillips

Por: Tiago Meneses

01/05/2021

Antes de qualquer coisa eu já quero dizer que considero esse um dos melhores discos da série Private Parts and Pieces, soando talvez um pouco mais arredondado. Algo a ser mencionado no início também é que não se trata de um disco inteiramente instrumental, algumas – duas na verdade - músicas têm vocais. Apesar de ser mais progressivo do que qualquer outra coisa, não precisa de muita perspicácia para perceber o quanto que ele também carrega uma aura de música clássica e folk.  

Private Parts & Pieces VIII: New England se destaca para mim, no entanto, por reunir as respectivas forças de alguns dos álbuns anteriores da série. Não é exatamente novidade para ninguém que seja acostumado com os discos da série, encontraremos aqui algumas peças para violão, outras para teclados e até mesmo alguns números vocais – algo que nem sempre acontece. O que faz Private Parts & Pieces VIII: New England um pouco diferente é que suas composições parecem estar com uma maior densidade. Não se trata apenas de Phillips dedilhando no violão, mas nota-se também que houve um cuidado em tocar e elaborar cada segundo do material – embora eu sempre achei que ele fizesse isso, quero apenas dizer que senti isso em um grau maior aqui.   

Se em outros discos da Private Parts & Pieces o ouvinte pode sentir que as músicas acabam soando como uma – ainda que bela - coleção de peças independentes, aqui o fluxo parece mais agradável, fazendo com que possamos sentir um todo mais orgânico. New England pode ser considerado facilmente um dos mais consistentes discos de Ant.  

Para a gravação de New England, é bastante visível o quanto que Phillips relaxou com o uso de sintetizadores, decidindo mais por uma alternância entre instrumentos de cordas – principalmente violão, mas também ótimas incursões de bandolim – e piano. Há também as participações de alguns convidados que aparecem muitas vezes com instrumentos interessantes e exóticos como o pau de chuva e o tambor de cálice e que contribuem muito bem para a diversidade da paleta sonora do disco.  

Esse disco está repleto de amor e paixão, e ao menos que você tenha um coração de pedra, não é preciso de muito para sentir isso. Sua abordagem melódica, folk e de natureza acústica com sabor medieval às vezes soam como um sopro na espinha. Em alguns momentos tudo está mais voltado para a música clássica, outros soam experimentais e outros mais fáceis de ouvir. Não iria falar de nenhuma peça em específico, mas os mais de dez minutos de “Sunrise And Sea Monsters” é uma fusão incomum de um jazz fácil de ouvir com passagens experimentais e certamente se destaca no disco.  

Desde a sua peculiar arte da capa à variedade de peças acústicas solo, duo e arranjos, essa é sem a menor sombra de dúvida, uma das declarações musicais mais coesas de toda a carreira de Phillips. A composição e o melodizo estão em destaque, além de algumas fortes figuras rítmicas. Private Parts & Pieces VIII: New England é um exemplar clássico e altamente recomendado de Anthony Phillips.

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