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Resenha: A Song For All Seasons (1978)

Álbum de Renaissance

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Músicas fortes em melodias, arranjos e climas, além de muito bem desenvolvidas

Por: Tiago Meneses

30/04/2021

Quando falamos de A Song For All Seasons, também estamos falando do fim da melhor fase da banda? Particularmente eu acho que sim, pois em relação ao que veio depois é difícil de encontrar algo que me agrade – mas nem precisava, o que a banda fez até aqui já a coloca como uma das minhas bandas preferidas de rock progressivo.  

A Song for All Seasons é um disco que foi bem sucedido na época, mas parece que esquecido depois, o que acho uma pena, pois a banda está em grande forma. Uma prova de que ela ainda tinha todas as possibilidades de soar grande como em obras anteriores. Embora o álbum tenha um som mais pop, digamos assim, a música ainda é brilhante. Quanto a voz de Annie, bom, essa dispensa qualquer tipo de comentários, está incrível como sempre.  

“Opening Out” é onde o disco tem o seu início. É uma música muito bonita e melódica, que tem tudo para ser uma música épica, mas devido a um motivo misterioso e surpreendente, não se desenvolve e termina um tanto abruptamente. Mas mesmo assim eu considero um começou muito bom e de grande equilíbrio entre o mais e o menos sinfônico.  

“The Day Of The Dreamer” tem um começo baseado em piano – que não dura muito. É uma peça bastante tingida sinfonicamente com muito folk, rock e mais outros gêneros. Possui algumas mudanças de andamentos que são excelentes. Ao mesmo tempo que é nitidamente um trabalho progressivo, também percebemos que se trata de algo mais comercial e convencional. Alguns momentos são até mais progressivo do que a banda costuma fazer – e eu particularmente adoro isso. Cheia de melodias excelentes, talvez o único problema que alguém possa considerar aqui é o uso meio exagerado de cordas – inclusive até eu poderia achar isso -porém, quando falamos de Renaissance, as cordas exageradas ou não, sempre vão soar como tem que ser.  

“Closer Than Yesterday” já começa com uma atmosfera bastante folk. Ainda que menos progressiva do que podemos esperar da banda, ela segue sendo uma peça muito boa. Provavelmente não traz o frescor e nem se trata de algo suficientemente inspirado como outras grandes canções épicas compostas por eles, mas em sua essência, mantém a excelência da música da banda. Sem contar que os vocais de Annie Haslam sempre são um espetáculo à parte. 

“Kindness(at The End)” é mais uma excelente faixa. Em determinados pontos, podemos notar alguns acenos à Barclay James Harvest. Depois de começar um pouco mais energizada, ela cai para um movimento mais suave – os vocais agora são masculinos. É uma música com ótima linha de baixo de Jon Camp, ótimo piano clássico de John Tout e onde a excelente atuação vocal de Jon Camp casou perfeitamente com a voz de Annie Haslam. 

“Back Home Once Again” é outra que figura entre as menores canções do álbum. É uma peça menos progressiva e mais pop - até meio mainstream. É uma boa música, de uma suavidade interessante, mas não tem como colocá-la nos melhores momentos do disco. Porém, mesmo soando comercial, é possível notar em seus arranjos algo dentro do território típico da banda.  

“She Is Love” é uma música com vocalizações masculinas que representa uma parte do disco que de fato pode ser chamada de fraca. A princípio o ouvinte pode até se animar com o que está por vir, algo aparentemente de natureza muito clássica, mas depois vai se dando conta de que se trata apenas de uma peça que está saindo de nenhum lugar em direção a lugar nenhum. Acho que se Annie tivesse cantado aqui, meu comentário seria bem diferente.  

“Northern Lights” é uma música que sempre me passou um pouco de Yes no seu som. Também é das faixas mais pop do disco, mas além disso, soa cativante, bonita e muito agradável de ouvir. Quando falo de uma música pop de qualidade, é disso que eu estou falando. E novamente, mesmo soando comercial, é fácil notar aqui alguns arranjos típicos da banda.  

“A Song For All Seasons” é a faixa título e que encerra o disco, além de ser a mais longa com quase onze minutos de duração. Como já é de imaginar, se trata da mais épica e pomposa faixa do álbum. Possui uma introdução simplesmente matadora com cerca de três minutos e meio, através de várias quebradas e elementos sinfônicos muito bem definidos. Isso segue até uma espécie de final falso. A faixa suaviza bastante e um violão é tocado sob os primeiros vocais de Annie que emergem com o esplendor de sempre. A partir desse momento é onde a faixa funciona, levando o ouvinte a um passeio de várias e emocionantes mudanças. Estamos diante verdadeiramente de uma canção progressiva cheia de melodia, doçura e grandiosidade, isso sem deixar de mencionar como sempre, a performance vocal de Annie Haslam, que é absolutamente irrepreensível. Esta música mostra a grandiosidade em que se encontra o Renaissance dentro da história do rock progressivo e fecha esse disco com chave de ouro.  

A conclusão é que A Song for All Seasons é um ótimo álbum - mas também o último grande álbum da banda – e também bastante subestimado. A produção é nítida e a energia encontrada aqui é das melhores. A maioria de suas músicas são muito boas e fortes em melodia, arranjo e clima, além de muito bem desenvolvidas. A excelente produção e orquestração também aumentam muito a sensação de que se trata de uma produção de qualidade. Também vale mencionar que a versão em LP vem com uma capa de muito bom gosto e um pôster desdobrável com quatro fotos da mesma cena tiradas em cada uma das diferentes estações do ano.

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