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Resenha: Hemispheres (1978)

Álbum de Rush

Acessos: 75


O auge da fase progressiva

Por: Márcio Chagas

30/04/2021

No final dos na os 70 o rock progressivo começava a sua decadência, com os grandes nomes do gênero se desmantelando ou fazendo concessões a um som mais acessível. 

Remando contra a maré, o Rush atravessava seu melhor momento na turnê de divulgação de seu álbum anterior, “Farewell to Kings” e resolveu retornar ao Rockefield Studios no País de Gales para gravar seu próximo álbum, que novamente teria a produção de Terry Brown.

Embora não tivessem ideias pré-estabelecidas sobre como deveriam soar, era natural que o grupo buscasse uma evolução do disco anterior e foi o que aconteceu. O trio mergulhou ainda mais de cabeça no progressivo sinfônico, construindo estruturas harmonicamente complexas e criativas, levando o ouvinte a uma verdadeira viagem musical.

Neil Peart continuava entusiasmado com ficção cientifica, mas havia lido o livro “Poderes da Mente”, e o usou como inspiração para escrever sobre os hemisférios cerebrais tendo como base as figuras dos deuses Apolo e Dionísio. Foi então que nasceu a faixa titulo "Cygnus X-1 Book II Hemispheres", uma suíte progressiva de dezoito minutos que ocupa todo o lado A do antigo vinil. A faixa evidentemente possui diversas variações rítmicas e evolutivas, fazendo o grupo soar como uma unidade sonora impressionante. Aqui pela primeira vez Peart utiliza gongos e tímpanos característicos de orquestra;

Iniciando o lado B temos “Circumstances”, aquele hard bacana, orientado pelo riff de guitarra de Alex; “The Trees” se inicia bem melódica, com violão e a voz tranquila de Geddy, que é quebrada pela entrada cirúrgica da guitarra e bateria. Embora curta, a faixa tem belas nuances em seu andamento, com passagens de teclado e um ótimo trabalho de percussão;

O álbum se encerra com “La Villa Strangiato”, uma peça instrumental dividida em doze partes e considerada por muitos o melhor tema instrumental de rock de todos os tempos. Ela foi pensada durante os ensaios de gravação do disco e inspirada em pesadelos do guitarrista Lifeson, além de passagens de desenhos animados. O grupo teve dificuldade em gravá-la, uma vez que decidiram executar a canção em um único take. Tentaram por quatro dias, mas acabaram realizando algumas edições devido a sua alta complexidade;

A capa mais uma vez foi criada por Hugh Syme e sinceramente acho um dos trabalhos menos interessantes do artista. Simplesmente não consigo gostar, apesar de achar que ela consegue passar a ideia central da faixa titulo.

O álbum chegou as lojas em outubro de 78 e apresenta o auge criativo da fase progressiva do trio, angariando uma nova base de fãs aficionados pelo progressivo. O disco passou com louvor no teste do tempo e é considerado um dos grandes clássicos do grupo.

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