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Resenha: Grace (1994)

Álbum de Jeff Buckley

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Um dos mais influentes da década de 90

Por: Jefferson Vicente

26/04/2021

Lançado em agosto de 1994, "Grace" é o primeiro e único álbum de estúdio de Jeff Buckley. O disco não fez sucesso logo de cara, tendo alcançado o 149º lugar nas paradas norte-americanas, mas obteve reconhecimento de maneira gradual, tornando-se um dos trabalhos mais influentes da década de 1990.

Filho de Tim Buckley (1947-1975), com quem teve pouco contato, o cantor teve como referência o rock clássico de The Who, Joni Mitchell, Jimi Hendrix, Yes e Led Zeppelin. A influência de Robert Plant é notória em alguns registros vocais de Jeff. 

"Grace" começou a ser gravado no final de 1993, sob produção de Andy Wallace. Acompanhado de excelentes músicos, Buckley registrou 10 faixas, sendo 3 delas regravações de outros artistas. O álbum chama atenção pelas influências de rock alternativo, folk e até mesmo jazz em “Lilac Wine”, de James Shelton, compositor da década de 1930. A aura romântica e melódica permeia todo o trabalho, com destaque para o timbre de voz e de guitarras limpas gravadas por Jeff, indo contra a sonoridade distorcida em voga na época entre os artistas do chamado grunge.

Algumas das principais músicas do disco são “Lover, You Should’ve Come Over” (Buckley), letra que trata de desilusão amorosa como poucas, o single “Last Goodbye” (Buckley) que fala sobre o fim de um relacionamento, a faixa título “Grace”, parceria com Gary Lucas, uma das canções mais intensas do álbum, a regravação de “Corpus Christi Carol” (Benjamin Britten), com toques de música sacra, “So Real” (Buckley/Michael Tighe) e “Eternal Life” (Buckley) que ressaltam o belíssimo trabalho de guitarras feito por Jeff e Michael.

Entretanto, o grande destaque de “Grace” é a regravação de “Hallelujah”, de Leonard Cohen (1934-2016), uma das versões mais conhecidas da música, que foi interpretada por inúmeros artistas. O arranjo de guitarra e voz, aliado ao o clipe filmado em tom sépia, fizeram da canção o maior hit da carreira de Buckley. 

Dois anos após o lançamento do álbum, Jeff entrou em estúdio para gravar seu segundo trabalho, intitulado “My Sweetheart the Drunk” que acabou não sendo finalizado pela morte do cantor. Jeffrey Scott Buckley faleceu em 29 de maio de 1997 na cidade de Memphis, nos Estados Unidos. Buckley nadava no Rio Wolf, um dos afluentes do Rio Mississipi e morreu afogado. Seu corpo foi encontrado uma semana depois, no dia 4 de junho. Jeff tinha apenas 30 anos. Um ano após sua morte, o disco inacabado foi lançado postumamente, com o nome “Sketches for My Sweetheart the Drunk” (Columbia, 1998).

Quase 27 anos após seu lançamento, “Grace” atravessa gerações como uma das grandes estreias da história da música. Reverenciado por nomes como Jimmy Page, Robert Plant, Paul McCartney e David Bowie (1947-2016) e influente para nomes como Radiohead, Muse, Coldplay, Travis e Jamie Cullum, a obra de Jeff Buckley permanece viva e atemporal, alimentada pelos trabalhos que são lançados postumamente, além das edições especiais do álbum, que foram lançadas em 2004 e 2014 respectivamente.

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