Para os que respiram música assim como nós


Resenha: Children (1995)

Álbum de Iluvatar

Acessos: 58


Um disco de canções bem escritas e executadas com emoção e delicadeza

Por: Tiago Meneses

24/04/2021

Esse foi um daqueles casos em que eu não esperava muito, e no fim acabei sendo até mesmo surpreendido com o som que ouvi. O nome da banda como alguns já devem suspeitar, foi retirado de Eru Ilúvatar, um personagem fictício das obras de J. R. R. Tolkien. Introduzido em “O Silmarillion”.  

A musicalidade e a performance de cada um dos músicos são de primeira, criando um disco de neo progressivo extremamente consistente. Em se tratando apenas do neo progressivo estadunidense, posso afirmar tranquilamente que ele se encontra no topo entre os melhores já produzidos naquele país. Esse álbum é feito principalmente para aqueles que amam os sons mais sinfônicos do neo progressivo, Children é carregado de teclados pesados na linha de IQ, Pendragon e Marillion, além de possuir canções muito bem escritas e executadas.  

“Haze” é a faixa de abertura. Começa com uma bela melodia de guitarra que logo em seguida ganha a companhia do piano e vocal. Por volta de um minuto e meio se torna mais agressiva. A bateria é bastante enérgica, o baixo pesado e o órgão ótimo. Essa música é uma excelente escolha para a abertura do disco. Possui também umas boas mudanças de clima. Após os cinco minutos de faixa os vocais ficam mais emotivos e apaixonados, seguido por um belo trabalho de guitarra.  

“In Our Live” começa através de uma melodia excelente de guitarra, bateria e órgão. Antes que o vocal apareça pela primeira vez, a peça se estabelece com o órgão. A sonoridade começa a ficar mais cheia. Quando a faixa atinge por volta dos dois minutos e meio, um coro infantil a invade de forma muito positiva. Então que a faixa segue com um solo de guitarra. A música “silencia” por alguns instantes, sendo possível ouvir as crianças ao fundo seguido de alguns acordes de teclado, a peça então vai aumentando o seu som. O coro regressa, seguido por um ótimo trabalho de guitarra enquanto bateria e baixo fazem uma seção rítmica bastante forte. 

“Given Away” tem um início muito bonito através de algumas ondas de sintetizadores enquanto a guitarra é tocada com muito bom gosto. Alguns vocais mais reservados entram, até que por volta de um minuto e meio o som fica mais volumoso – mas sem perder a suavidade e o seu caráter emocional. Por volta dos quatro minutos é possível perceber uma bateria bastante proeminente, seguido por um excelente solo de guitarra. Uma das melodias mais bonitas do disco.  

“Late Of Conscience” se comparada com as faixas que tivemos até aqui, essa possui uma abertura de atmosfera mais sombria. Sintetizadores pomposos, guitarra chorosa e alguns coros – também feito por sintetizadores. Os vocais entram pouco antes de um minuto e meio, pouco depois a seção rítmica dita o ritmo dando um som mais completo, incluindo um pouco de uma guitarra mais crua. Por volta dos cinco minutos e meio há um belo solo de sintetizador, seguido por um solo de guitarra. Se eu fosse pra escolher a melhor parte dessa música, certamente que eu escolheria o seu final melancólico.  

“Cracker” é uma faixa que já começa em um clima mais efusivo, batendo fundo já no seu primeiro minuto, até que principalmente vocal, sintetizadores e bateria criam uma melodia muito boa. Há uma guitarra muito boa por volta de uns dois minutos e meio e uma melhor ainda depois dos quatro minutos. Por volta dos cinco minutos e meio a banda entrega uma bela melodia com órgão, baixo e guitarra, além de uma bateria que parece vir de todos os lugares. Outro dos grandes momentos do disco.  

“Eye Next To Glass” é uma peça que soa um pouco diferente – mas não quer dizer que não seja uma boa música. Algumas vozes ao fundo antecedem a voz principal que canta por cima de guitarra e teclados de muito bom gosto. Há o uso de flauta aqui, mas como no encarte não fala sobre nenhum convidado, creio que o som seja emulado no teclado. É a faixa mais atmosférica do disco.  

“Your Darkest Hour” começa pegando muito bem o gancho deixado pelos sintetizadores da faixa anterior. Em seguida há uma ótima melodia com bateria, baixo e guitarra acompanhando os vocais. Pouco antes dos dois minutos e meio, a peça fica mais calma – acho linda essa parte – e depois vai ganhando uma maior velocidade – diminuído novamente e adicionando um solo ótimo de sintetizadores antes do vocal regressar. Após os quatro minutos há um som maravilhoso que inclui um belo solo de guitarra.  

“The Final Stroke” passando dos doze minutos é a faixa mais longa do disco e também a que o encerra. Começa com um bom trabalho de piano – possui mellotron aqui também. Segue com algumas batidas e melodias simples – em alguns momentos o baixo fica em grande evidência. Pouco depois dos dois minutos e meio, a guitarra assume o protagonismo com um belo solo, antes do piano estar de voltar. Nos quatro minutos e meio quem fica em evidencia é o sintetizador seguido por algumas ondas de mellotron – isso segue até pouco antes dos sete minutos. Agora depois dos sete minutos, os sintetizadores tem uma clara influência em Tony Banks, pulsante sobre uma seção rítmica muito bem estruturada - há também uma guitarra que começa a dobrar com os sintetizadores. Essa seção é ótima. Então que a peça entra em uma linha de piano solo, mas aos poucos baixo e bateria se juntam à medida que o som aumenta. O órgão então “anuncia” o solo de guitarra. A música volta para o tema de piano lá do início, e alguns vocais a encerram. Um grande final de disco.  

Children é um disco que no meio dos amantes de neo progressivo, deve ser visto como obrigatório. Agora se você faz parte dos mais puristas obstinados em busca de inovação, experimentação ou dissonância, aconselho que fique longe dele. Um álbum de canções bem escritas e executadas com emoção e delicadeza.

As publicações de textos e vídeos no site do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do respectivo autor


Compartilhar

Comentar via Facebook

IMPORTANTE: Comentários agressivos serão removidos. Comente, opine, concorde e/ou discorde educadamente.
Lembre-se que o site do 80 Minutos é um espaço gratuito e aberto para que o autor possa dar a sua opinião. E você tem total liberdade para fazer o mesmo, desde que seja de maneira respeitosa.