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Resenha: Fantasma (2000)

Álbum de Everon

Acessos: 61


Ótimo álbum com uma mistura entre riffs pesados e arranjos melancólicos

Por: Tiago Meneses

24/04/2021

Lançado em 2000, Fantasma foi o quarto disco de estúdio da banda e sucessor de Venus. Entre um disco e outro, houve mudança na formação com a saída do guitarrista Ralf Janssen e a entrada de Ulli Hoever, trazendo com ele um estilo mais pesado e abafado do que o adotado pela banda até aquele momento, o que tendia a banda para um rock progressivo pesado, enquanto tentava manter o seu estilo melódico que eles haviam construído anteriormente.  

Ironicamente, embora o disco seja considerado como um passo à frente em relação a Vênus, de certa forma, Everon retrocedeu, na medida em que o álbum não tem tanta variação musical quanto seu antecessor, alternando de forma mais previsível entre o som pesado da guitarra e o som mais calmo e melódico em outros momentos. 

É bom frisar também que entre Venus (1997) e Fantasma (2000) foram anos difíceis para Oliver Phillips, grande mentor da Everon. O músico sofreu com a morte de um amigo muito querido e também pelo fim de um relacionamento de longa data. Esses sentimentos sombrios são bastante evidentes nesse álbum, suas letras que se mostraram maravilhosa e sentimentais, ao mesmo tempo que carregava um sentimento de perda e dor, também trazia amor e esperança. Oliver em Fantasma mostrou ser um letrista muito talentoso.  

“Men Of Rust” começa o disco através de uma melodia de piano muito agradável, mas que vai crescendo até explodir com ótimos trabalhos de guitarra e teclado. A faixa mais a frente vai ficando com a atmosfera sinfônica na companhia dos excelentes vocais de Phillips. Também possui algumas ótimas mudanças de andamento que consegue prender o ouvinte do começo ao fim, o mantendo sempre com o mesmo interesse.  

“Perfect Remedy” é uma espécie de balada, porém, com um peso que a edifica. A fusão de uma sonoridade mais sensível com momentos até mesmo metálicos é incrível. Uma faixa muito boa que começa maravilhosamente sutil, com Phillips cantando sobre um doce teclado, uma harpa e sinos antes desses serem acompanhados por uma seção rítmica bastante densa. A peça termina suave da maneira que começou. “Fine With Me” é um metal mais direto, com bateria e guitarras pesadas enquanto Phillips canta com muita paixão.  Apesar de curta, também é intensa e compacta com toda a essência do grupo. 

“A Day By The Sea” começa com um piano sutil e vocais reservados. Essa faixa é uma mistura maravilhosa entre balada e um som bastante poderoso – sem contar que possui o melhor refrão do disco. Essa variação vai acontecendo durante toda a sua extensão de maneira brilhante e emocional.  

Fantasma Suíte: 

“Right Now” é uma peça instrumental muito boa, com algumas guitarras rasgadas e peso na medida certa. Muito bom também é a forma como essa parte encaixa na próxima. “... Til The End Of Time” mantem o peso deixado pela peça anterior, mas com seus mais de cinco minutos, consegue se desenvolver melhor. Novamente as guitarras estão matadoras, além de uma seção rítmica forte e teclados sinfônicos muito bem encaixados. “Fantasma-Theme” é uma ponte de menos de quarenta segundos de uma bonita melodia de piano. “The Real Escape” começa com um excelente trabalho de violão e violino que logo ganham a companhia da interpretação sempre emotiva de Phillips. No meio há umas orquestrações realmente belíssimas, além de uma explosão instrumental e uma guitarra muito boa após os três minutos. “The Real Escape” é uma combinação homogênea e musicalmente maravilhosa de tudo que a precedeu na suíte.  

Battle Of Words é mais uma das peças instrumentais do disco. Uma faixa muito boa e de sonoridade cativante. Começa primeiramente apenas com o piano solo antes que os outros instrumentos possam ir lhe abraçando aos poucos, deixando assim a música mais completa e encorpada. Algumas linhas de guitarra são incendiarias e agregam muito no resultado final.  

“May You” é mais uma faixa muito boa que começa em clima total de balada, com bastante sentimento, mas que já vai deixando evidente que irá explodir em algum momento, tanto que é isso que acontece, todos os instrumentos entram na peça com força total na seção de encerramento. “Ghost - Intro” serve como uma espécie de prefácio para a faixa seguinte. Muito sutil e de sonoridade ambienta, possui um dueto piano/guitarra que serve como uma ótima ponte para o fim do disco. “Ghost” é a faixa que marca o final de Fantasma. O clima continua bastante ambiente, mas agora com a voz, a música vai crescendo lentamente em intensidade até transbordar em uma ótima parte instrumental. Possui no seu núcleo uma bela seção vocal com uma guitarra suave e uma bateria militar. A fórmula usada pela banda aqui não é nenhuma novidade ou algo que você já não tenha visto em muitos lugares, mas mesmo assim, a peça soa fresca.  

O que esperar de Fantasma? Um ótimo álbum de rock progressivo com uma produção e gravação que não poderia ser melhor. Em alguns momentos os vocais de Phillips lembram um pouco ao de Greg Lake – mas nada de cópia, apenas lembram mesmo. Às vezes o álbum pode soar melódico ou melancólico demais, mas essa é a intenção, esse era o sentimento de Phillips naquela época da sua vida em meio aos acontecidos que já citei lá no início da resenha. Fantasma é um ótimo álbum com uma mistura entre riffs pesados e arranjos melancólicos.

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