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Resenha: Headless Cross (1989)

Álbum de Black Sabbath

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A volta sabática

Por: Fábio Arthur

23/04/2021

Por um período, desde lá em 1983 quando Gillan estava na banda, o Sabbath não tinha uma direção acertada, apesar de "Born Again", soar como um grande álbum de Heavy Metal. Mas, o grupo e/ou Tony Iommi, tentou empenhar ao máximo suas forças para poder trazer sua banda para a ativa novamente. 

Exigências de gravadoras, dúvidas, problemas com músicos e ainda por cima, dificuldades pessoais, tudo isso levando em conta que a banda não acertava a direção em nenhum projeto, mesmo quando Glen Hughes esteve na mesma; o que de nada adiantou, de fato. 

Sendo contratado naquele período de 1988, Tony Martin, o Sabbath trouxe uma nova visão musical, em cima da já proposta de outrora. Tony, que podia ao vivo executar as fases de Dio no vocal, deixou a banda em conforto e assim seu timbre e tonalidades agradaram ao público e também aos críticos - não que seu primeiro trabalho com Sabbath fosse querido de forma ampla, "The Eternal Idol", mas assim, soou como bem-vindo em relação ao tempo passado do grupo.

O incrível é que Iommi dispensou a Warner Bros. após anos de casa e se juntou com a I.R.S. Records, que de fato até deu atenção ao grupo; tanto que na época, em 1989, você encontrava "Headless Cross" em todas as lojas pelo nosso país. Uma grande vitória naqueles tempos, em que somente o que estava em alta recebia atenção. 

O problema é que, Tony, tinha contrato, algo composto, um vocalista bom, sem expressão ao vivo, mas que conseguia atrair atenção pela força de sua voz, mas ao mesmo tempo, precisava de baterista e baixista. Essa então jornada começa em 1988 e, após algumas negociações se Geezer voltaria, Tony, em meio ao processo confuso, descarta o parceiro e traz para gravação Lawrence Cottle. Mas na turnê, foi Neil Murray quem tocou. Para começar de fato manter a banda viva, Tony convidou Cozy Powell (R.I.P) ex-Rainbow, Whitesnake entre outros, e os dois começaram a compor o material todo. 

Foi Cozy, quem pediu para Tony deixar Martin no grupo, Dio era a escolha, mas o baterista foi enfático em manter as coisas como estavam, seguindo assim dentro do mesmo processo de dois anos antes. 

No disco, a banda veio com a temática ocultista, esse é o único álbum do Sabbath que traz como conceitual, ou seja, apenas um tema, em sequência. As letras são baseadas até em fatos precedentes da antiguidade, pois, a faixa título "Headless Cross" retrata um local aonde rituais acontecia, as coisas eram praticadas e a cruz inserida na arte de capa, se fazia presente no local em que esses eventos ocorriam. 

Em abril de 1989 o álbum saiu, o repertório é muito bom, sim, a banda trafega entre algo até meio Hard por elementos melódicos e seus complementos, mas, em um momento mais impactante, o Metal toma conta, com riffs fenomenais; vide "Headless Cross" e que dentro da canção o vocal é totalmente evolutivo. "The Gates of Hell", a intro sombria, flui na direção em que o disco precisa para dar ênfase para o material: "Devil and Daughter", "Kill in the Spit World" e "Black Moon". 

No lançamento em CD a obra chegou com "Cloak & Dagger", mas não traz nada de emocional e sim mais um elemento para preencher a bolacha. 

O disco tem um propósito, ele sabe como moderar o intenso com o momento mais brando, sendo esse um dos diferenciais. Um trabalho realmente de conotação clássica na discografia do grupo.

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