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Resenha: Magical Mystery Tour (1967)

Álbum de The Beatles

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Paul McCartney assumindo o controle dos Beatles

Por: André Luiz Paiz

23/04/2021

Após o enorme sucesso da proposta inovadora dos Beatles em "Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band" e o distanciamento ainda maior dos palcos, Paul McCartney teve a ideia de voltar aos cinemas e ousar novamente com uma proposta de filme sem roteiro, no qual o álbum homônimo traria a trilha sonora e mais alguns singles. E foi assim que nasceu "Magical Mystery Tour", um filme duramente criticado, mas com um belo acompanhamento musical.

John Lennon sempre foi visto como líder dos Beatles ao lado de Paul. Como estava distraído com alucinógenos e se importando cada vez menos, mal sabia ele que McCartney se aproveitaria deste fato para assumir de vez o controle. Não tinha más intenções, era apenas uma pessoa controladora e que via em si a necessidade de manter a banda viva, algo que fez até o final. Com o triste e inesperado falecimento de Brian Epstein, empresário dos Beatles, em agosto de 1967, a situação ficou ainda mais complicada.

O filme merece uma resenha exclusiva. Resumidamente, é engraçado ver os Beatles dentro daquele ônibus viajando para locais estranhos e sem saber muito o que fazer diante das câmeras. Ideias sem sentido, sonho de John Lennon alimentando uma pessoa gorda, alguns clipes integrados e sem qualquer história, o trabalho vale mais realmente pela trilha e por ver os Beatles ali. Então vamos focar no álbum.

Com a intenção de lançar dois EP's em conjunto, ideia que não era muito popular na época, "Magical Mystery Tour" virou LP pouco depois. O disco traz composições primorosas de John e Paul, cada vez melhores. Só não é um clássico porque 	"Blue Jay Way" de Harrison é uma viagem psicodélica meio sem sentido e empolgação, e "Flying" é uma instrumental que considero apenas interessante por ter sido composta pelos quatro Beatles. Por fim, de John e Paul a que menos se destaca é "Baby, You're a Rich Man", uma faixa que acho bem legal, mas é claramente inferior às demais. Dizem que a letra se refere a Epstein.
Agora vamos falar do lado positivo. A faixa homônima de abertura é de Paul e encaixa perfeitamente com sua energia, belo refrão e vocal. É tão legal que Macca sempre tocou - e ainda toca - em turnês. "The Fool on the Hill" é outro grande momento. Uma balada linda com uma letra bem bonita. A cena do filme foi filmada separadamente, com Paul em Nice, na França. Macca também entrega mais uma bela balada pop/music hall no primeiro lado do LP: "Your Mother Should Know", com belo trabalho vocal. Gosto demais. Por fim, a primeira metade é encerrada com o clássico psicodélico e experimental "I Am the Walrus", de John Lennon. Ousada, brilhante e é uma daquelas que dizem trazer dicas sobre a suposta morte de Paul. Para quem gosta de investigar, dizem que têm dicas sobre o assunto também na capa do álbum.
Na segunda metade temos mais clássicos: "Hello, Goodbye" é um pop maravilhoso de Paul, com letra bobinha mas que funciona perfeitamente. O vídeo dirigido por Paul também é bem legal, com Ringo usando uma mini bateria e os Beatles vestidos com uniformes do Sgt. Pepper. Seguindo, temos uma balada psicodélica e meio acid rock brilhante de John Lennon: "Strawberry Fields Forever" é simplesmente uma das maiores canções da história da música. A letra é tocante e traz lembranças de John sobre "Strawberry Field", um orfanato do Exército da Salvação próximo de onde ele morava. E por falar em lembranças, Paul faz o mesmo com a linda e empolgante "Penny Lane", uma das minhas favoritas de toda a discografia dos Beatles. A letra fala sobre uma rua bem marcante na infância de Paul. Por fim, encerramos o disco com a clássica e histórica balada "All You Need Is Love", de John Lennon e escrita para um evento da BBC, o primeiro transmitido mundialmente via-satélite, ao vivo simultaneamente para 26 países, o programa Our World. John optou por uma letra que se encaixou perfeitamente com o proposto. A transmissão foi feita do Abbey Road Studios, em 25 de junho de 1967, com a participação de nomes como Mick Jagger, Eric Clapton, Marianne Faithfull, Keith Moon e Graham Nash na plateia. Foi um momento histórico e visto por 350 milhões de pessoas.

Com um LP trazendo parte da trilha sonora e singles que foram lançados pouco antes, "Magical Mystery Tour" pode não ter sido um sucesso nas telas, mas nas rádios e nas paradas, foi mais um grande sucesso dos Fab Four.

Após o lançamento do disco, os Beatles se afastaram ainda mais. Cansados de críticas e da imprensa em geral, foram buscar conforto espiritual através da meditação e foram parar na Índia. Não deu muito certo, mas de lá saiu o embrião para o também famoso "White Álbum" ou "Álbum Branco", outro clássico.

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