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Resenha: Springsong (2002)

Álbum de Höstsonaten

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As cores musicais da Primavera com forte toque folclórico e frescor melódico

Por: Tiago Meneses

12/04/2021

Springsong é a quarta e última parte The Season Cycle – embora essa tenha sido a primeira a ser lançada. Como acontece em cada um dos quatro discos, as músicas conseguem representar muito bem a estação referente a ele, sendo que em Springsong as cores musicais da primavera são reproduzidas com forte toque folclórico e frescor melódico. 

Se trata de um ótimo disco sinfônico e totalmente instrumental – assim como a maioria do que a banda criou até hoje. Em alguns momentos é possível notar uma forte semelhança a sonoridades feitas pelo Camel – embora aqui existe uma adição e belas partes de cordas. Se você gosta do uso de violino dentro do rock progressivo, esse disco pode lhe agradar muito. Vale deixar claro, porém, que complexidade não faz parte do cardápio, e tudo soa quase sempre melódico e suave. Costumo dizer que o ouvinte dificilmente diria que se trata do disco de um grupo italiano, pois as composições mostram uma inclinação muito mais bem definida para o lado da música celta. Em alguns momentos sinto a mesma atmosfera que em discos como Harbor of Tears do Camel ou Outcast of the Islands de Colin Bass, portanto, se você gosta desses álbuns, dificilmente você não irá gostar de Springsong. Um álbum muito bom para uma tarde de fim de semana no início da primavera. 

Tudo é tão adorável, uma verdadeira sinfonia de violão de doze cordas, mellotrons e moogs, saxofones soprano, flautas, violino, gaitas de foles e uma percussão que sempre flui cheia de suavidade e maravilhosamente bem. São cerca de quarenta e cinco minutos de uma música cheia de felicidade natural, espiritual e melódica. Mais outros nomes que podem ser citados como influência são Clannad, Nightnoise e Genesis da era Trespass, mas sempre mantendo a ideia de que eles se estendem muito além dos limites dessas bandas e criam algo próprio.  

Todas as nove músicas do discos conseguem se fundir lindamente, criando assim um ambiente sonoro cheio de sol e paz. Uma vez ou outra, Zuffanti lança um solo etéreo de guitarra elétrica ou alguns floreios de mellotron e moog. Na maior parte, porém, Springsong permanece fiel às suas raízes clássicas, jazz e renascentista - mas sempre com um toque épico e progressivo. O único elemento que parece fora de lugar neste álbum é a passagem falada no final de "She Sat Writing Letters on the Riverbank” que achei algo meio deslocado.  

Quem me acompanha aqui no 80 minutos sabe que são raras as vezes em que eu falo sobre livretos e encarte dos CDs que faço resenha, mas Springsong merece fazer parte de uma dessas raras vezes. A experiência da audição é aprimorada por uma atraente caixa branca de papelão e capa interna, contendo dez cartões com ilustrações coloridas e intricadamente detalhadas tiradas da Bíblia de Borso D’Este, um tesouro artístico do período renascentista. Cada um dos cartões representa uma música - sendo mais um que representa o álbum como um todo – e inclui os nomes de todos os músicos que tocam em cada uma das faixas. Desde a sua embalagem, produção e execução musical, Springsong é um álbum que deve ser apreciado com atenção.

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