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Resenha: Georgia (2015)

Álbum de Georgia Barnes

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Por trás da modernice bate um coraçãozinho pop

Por: Roberto Rillo Bíscaro

06/04/2021

Assertivo é o adjetivo que melhor descreve a (quase) impressionante estreia de Georgia, de 21 anos, num álbum homônimo, composto, produzido, tocado, cantado e arranjado todinho por ela em seu estúdio próprio. Ela teve a vantagem de ser filha de Neil Barnes, do Leftfield, mas isso sozinho não explica/justifica o incrível talento em produzir pós-grime instigante e ameaçador. 

Georgia, de modo geral, está mais interessada em climas/texturas e estas veem tribais e/ou inquietantes. Kombine é puro cosmopolitanismo londrino, misturando batidão electro com música tradicional paquistanesa. Be Ache é um estouro de criatividade com sua miríade de sonoridades borbulhantes e algo agressivas. Nos momentos em que teclados graves e lentos combinam-se com percussão, ouvidos mais sazonados lembrarão de The Dreaming e do IV, totens lançados por Kate Bush e Peter Gabriel, respectivamente, em 1982. Ouça Digits e os singles Move Systems e Nothing Solutions e veja se não dá vontade de fazer carão deformado de monstro ou virar os olhos como Tia Kate. Embora tribal, Georgia é habitante da selva urbana, por isso sua batucada sintetizada também tem nascentes hip hop, como em Tell Me About It. 

Mas, essa garota que fala de traficantes chamadas Sheila, mostra que no seu íntimo bate um coraçãozinho pop partido. A quase miraculosa Heart Wrecking Animals é balada de ninar, mas espertamente disfarçada em instrumentação superesparsa numa melodia levada mais pelo vocal do que pela instrumentação cheia de teclados cristalinos e guitarrinha à Barney Summer. Mas, logo depois já vem a perturbadora GMTL, não se engane, nobody fucks with a hurt Georgia!

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