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Resenha: Fields Of Green (1996)

Álbum de Rick Wakeman

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Fields of Green não possui nenhuma audácia, mas brilha em alguns pontos

Por: Tiago Meneses

04/04/2021

Rick Wakeman é uma verdadeira máquina de lançar discos – somente nos anos 90 foram 37 de estúdio e 9 ao vivo. Dentro daquele período eu considero Fields Of Green um dos melhores trabalhos. Mas apesar de ser um disco dos anos noventa, esta resenha está sendo baseada no relançamento de 2014.  

Fields Of Green não possui influências na new age como outros álbuns do mesmo período, ainda que também em muitos momentos não esteja tão longe assim. Dizer o quão grande é o talento de Wakeman a essa altura do campeonato é bem desnecessário, mas acho justo mencionar que novamente os teclados do mago conseguem quase sempre jogar uma grande dinâmica em cima de todas as faixas.  

“Election 97/Arthur” se trata de uma reformulação da faixa “Arthur” do clássico The Myths And Legends Of King Arthur And The Knights Of The Round Table que foi usada pela BBC para a sua cobertura das eleições de 1997. Mesmo em uma versão transformada a faixa consegue se manter poderosa. Dois temas instrumentais totalmente novos são tecidos na composição para um grande efeito. No geral é uma clássica musica progressiva sinfônica incrível e uma ótima maneira de começar o disco. Curiosamente, apesar de ser a primeira faixa, se trata da faixa bônus e não estava no disco de 1996.  

“Starship Trooper” não se trata de música homônima, mas sim, a própria clássica do Yes. Os vocais às vezes fazem com que o ouvinte se pergunte se não é Jon Anderson que está cantando – curiosamente, alguns fãs de Yes pensam diferente e simplesmente detestam essa performance. Wakeman mostra sua extrema destreza. Tudo bem que a versão original é melhor, mas essa aqui possui muitos encantos. Qualquer pessoa que já tenha desejado uma versão dessa música com “mais Wakeman”, certamente vai sentir o seu desejo sendo realizado aqui. O teclado na parte final é de cair o queixo.  

“The Promise Of Love” começa através de ondas dramáticas e poderosas em tons ambientais, se transformando em uma balada rock potente e muito emocional. Os vocais femininos acrescentam doçura à peça. Um solo de guitarra também é destaque. A princípio pode não parecer ser algo tão grandioso, mas após algumas reproduções se torna uma faixa encantadora. Wakeman com seu teclado também destaca-se reproduzindo algo matador de vez em quando.  

“The Spanish Wizard” é um pouco difícil de definir exatamente esta faixa, mas é fácil notar um hard rock dramático, além de uma textura muito melódica. As linhas de guitarra que criam a estrutura principal da música são muito boas. Em seus dois primeiros minutos e meio o ouvinte deve se perguntar o porquê desse, “espanhol”, no título, mas então que um violão entra e faz com que tudo tenha mais sentido. Essa faixa não possui muitas mudanças ou arranjos intricados, mas funciona muito bem e apresenta muito charme.  

“The Never Ending Road” é daqueles tipos de faixas em que não tem como defender Wakeman. Bastante animada e extremamente genérica, com uma abordagem até meio gospel. Admito que os solos e seguimentos instrumentais feitos por Wakeman são bons, mas passa longe de serem potentes o suficiente para compensar toda a fraqueza do resto da música. E pra completar o pacote são quase nove minutos de uma música se arrastando sem propósito.  

“The Fighter” em seu primeiro segundo de guitarra, existe uma possibilidade de relacionar uma música de Rick Wakeman com “Alive” do Pearl Jam – lembrem que estou falando apenas do primeiro segundo de música, ok? Não é muito progressiva e seu forte aceno está muito mais para o hard rock. Um avanço em relação a faixa anterior – o que não quer dizer muito. Os solos de Wakeman – como sempre – são ótimos.  

“Tell Me Why” é uma balada muito mais relacionada ao AOR do que rock progressivo, porém, de qualquer maneira ela funciona muito bem. Tudo bem que eu poderia estar aqui falando em ela ser bastante genérica como fiz com a, “The Never Ending Road”, mas é que são situações diferentes, nesse caso também há um ótimo trabalho de guitarra, além, claro, dos teclados de Wakeman.  

“The Rope Trick” é mais uma faixa onde o que predomina é um rock 80’s - talvez algo na linha de Survivor. Este disco não é exatamente para quem é um purista de rock progressivo e provavelmente esse som não agradaria nenhum deles, mas se você não se limitar muito, pode ver o quanto que essa música é demais. O trabalho de guitarra quase de metal – ao menos pra mim, que não me considero um fã hardcore do gênero - certamente é o destaque aqui.  

“The Niceman” começa com uma textura bastante atmosférica antes de mudar para uma linha musical mais lúdica. Falar que é mais uma faixa ligada muito mais ao hard rock do que rock progressivo não é novidade, mas novamente soa cativante e forte. Ótimas linhas de guitarra e teclado dão um sabor todo especial à faixa.  

“Fields Of Green” também conhecida como faixa título é onde o disco se encerra. Se trata de uma balada e que agora sim leva o ouvinte para um território mais progressivo. É muito bonita e de excelentes momentos, porém, apesar de eu não costumar – salve poucas exceções - implicar com a ordem das faixas de um disco, não sei se essa aqui está no lugar certo, fazendo com que apesar de bonita, decepcione um pouco em termos de criação de conclusão de um álbum.  

Desnecessário eu falar que não se trata do melhor caminho para começar a explorar a música de Wakeman, porém, se você já as conhece em discos mais celebrados do mago, aconselho que você o explore um pouco mais a fundo que certamente vai descobrir um mundo menos visitado de Wakeman e que deveria receber mais atenção. Fields of Green é um desses mundos, onde apesar de não possuir nenhuma audácia, consegue brilhar em alguns pontos.

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