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Resenha: Nick Mason's Fictitious Sports (1981)

Álbum de Nick Mason

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Um disco solo de Carla Bley com o nome de Nick Mason

Por: Márcio Chagas

02/04/2021

Eu sempre digo que não tem sentido um músico gravar um disco solo com sonoridade similar a de sua banda, principalmente se ela ainda estiver em atividade. Mas no caso de Nick Mason este conceito foi longe demais.

Na verdade, nem dá pra chamar este álbum de disco solo, uma vez que Mason participa apenas como baterista. Ele estava de partida para os EUA para gravar seu primeiro álbum solo quando recebeu um extenso material de Carla Bley, e como gostou do que ouviu, decidiu trabalhar em cima das músicas recebidas invés de procurar ideias aleatórias. 

Para quem não conhece, Carla Bley é uma compositora e pianista de jazz, tendo sido uma das figuras importantes nos anos 60 a difundir o estilo denominado “free jazz”. Sempre gravou regularmente pelo selo norueguês ECM com orquestras, trios, quartetos e outros formatos.

Mason não só aproveitou o material como chamou a pianista e toda sua banda para a gravação do álbum, incluindo seu marido, o baixista Steve Smallow. Foram convidados ainda Robert Wyatt (ex Soft Machine) para cuidar dos vocais e Chris Spedding para as sessões de guitarra.

As influências trazidas por Bley são das mais diversas, como fusion, música de vanguarda, rock in opposition, Cantebury sound, muito groove amparado por uma boa seção de metais e um toque de humor acido e debochado nas letras com uma similaridade muito próxima de Frank Zappa com os Mothers of Invention em seus primeiros trabalhos. 

Um bom exemplo é a canção “Can't Get My Motor To Start” que abre o álbum. Guitarra e bateria imitam o motor de um carro que não quer pegar exatamente como descreve a letra cantada por Karen Kraft. Ou em “Boo To You Too”, um boogie bem humorado ensinando novas bandas de rock em como proceder caso sejam vaiadas;

“Hot River” traz à tona o lado mais sério e psicodélico do disco. É a única canção com ecos da banda de Mason, com Speeding podendo emular Gilmour não só nos solos como no timbre de seu instrumento. “I am Mineralist”, evidência o lado minimalista de Bley, com uma interpretação densa de Robert sobre o piano e trompete. Ela segue cadenciada com uma belo solo de sax ao final.

“Fictitious Sports”é um grande disco, muito bem idealizado e trabalhado, mas é um disco de rock na visão de uma pianista de jazz. É nítido que Mason participa apenas como convidado, e teve seu nome na capa por motivos contratuais.

E só pra deixar bem claro: ESTE ÁLBUM NÃO TEM QUALQUER INFLUÊNCIA DO PINK FLOYD! Mas se você curte a musica experimental e atonal de Frank Zappa e similares não deve deixar de conferir o disco.

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