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Resenha: The Burning (1981)

Álbum de Rick Wakeman

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Embora no geral seja morno, The Burning às vezes surpreende

Por: Tiago Meneses

01/04/2021

The Burning é mais uma das trilhas sonoras feitas por Rick Wakeman, agora baseada no filme de mesmo nome. Na verdade, apenas o segundo lado do disco é de trilha sonora, onde o primeiro é formado de composições originais de Wakeman, sendo assim, o lado A chama-se “The Wakeman Variations” e o lado B “The Music From the Film”.  O filme – uma espécie de clone de Sexta Feira 13 - conhecido no Brasil como “Chamas da Morte” ou “A Vingança de Crospy” é bastante trash, tendo um enredo que fala sobre um zelador chamado Crospy que em um acampamento de verão acabou sendo terrivelmente queimado por consequência de uma pegadinha que deu errado. Anos mais tarde, agora com o seu rosto – e partes do corpo – completamente desfigurado, ele volta a estar próximo dos responsáveis em um outro acampamento de verão, e agora busca se vingar de cada um deles. Enredo bobo, mas aqui queremos saber é das músicas, certo? Então vamos a elas.  

“Theme From The Burning” é onde o disco tem início, uma faixa bonita e intrincada. A abertura é baseada em um solo de piano. Após cerca de um minuto a faixa é direcionada para uma linha mais pomposa e tocada pela banda completa – com os sintetizadores puxando a liderança de tudo. Um teclado barulhento promove o caos, mas outros instrumentos agora também assumem o controle. O mago regressa nos últimos segundos da música apenas para terminá-la ao piano.  

“The Chase Continues (Po's Plane)” começa através de um grande frenesi que faz com que o ouvinte possa até sentir o Wakeman clássico nessa faixa. Uma música veloz, poderosa e animada. Como sempre, Wakeman é simplesmente incrível enquanto vai desbravando toda a peça com seus teclados variados. Interessante também é o groove apresentado.  

“Variations On The Fire” é uma faixa bastante lúdica e que traz algumas linhas de teclados que soa retrô. Soa muito mais suave do que as composições anteriores. Nela há algo que vai além dos trabalhos de teclado, podemos nos deparar com um bom trabalho de guitarra. A música então ganha uma linha mais dramática e segue assim por um curto período de tempo. Também se nota uma reprise dos temas anteriores antes que haja mais uma transição para outra seção dramática. Um solo bastante inspirado de Wakeman engrandece a faixa antes que tudo chegue ao fim. Um dos melhores momentos do disco.  

“Shear Terror And More” direciona o disco para uma musicalidade de textura mais dramática e obscura. Começa de forma enérgica e triunfante, sendo que em seguida Wakeman acrescenta algumas boas linhas melódicas. Tudo se transforma em um movimento de influências jazzísticas. Tudo vai ficando bastante inspirado e passa por uma série de mudanças antes de voltar para a sonoridade estilo jazz clube e blues. Certamente é uma das canções mais dinâmicas do disco, com Wakeman e companhia fornecendo uma série de texturas musicais intrigantes. Como dito, uma abordagem dramática e obscura, além de pesada, porém, no final ainda há espaço para soar mais otimista e animada.  

“The Burning (End Title Theme)” é uma pequena faixa de dois minutos cravados, onde Wakeman introduz uma tapeçaria de sons bastante poderosos e enigmáticos. “Campfire Story” é uma faixa de narrativa meio estranha seguida por uma música igualmente estranha. Então que mais a frente chegamos a algo mais ligado a um tema usado anteriormente no disco.  

“The Fire” começa através de algumas sonoridades de texturas estranhas movidas a alguns efeitos. Mais à frente há uma verdadeira explosão de teclados de atmosfera dramática, soando como se estivéssemos assistindo a um filme de terror. É a faixa mais sombria e psicodélica do disco, funcionando muito bem.  

“Doin' It” é uma faixa bastante diferente da anterior, trazendo o disco para um clima muito mais alegre e otimista. É um pop divertido, bastante simples e de uso estendido de guitarra rock and roll que leva a música para um final fade-out. “Devil's Creek Breakdown” é mais uma faixa bastante divertida e frenética, mas longe de ser do tipo de música que agrade qualquer fã de Rick Wakeman, muito pelo contrário.  

“The Chase” traz o disco para algo mais parecido com o que estava sendo mostrado na sua primeira metade. Os teclados de Wakeman surgem de uma maneira muito característica. A peça então começa a ficar obscura e até mesmo um tanto assustadora. Estas texturas nervosas parecem vir de todos os lados – por isso aconselho sempre um bom fone – e cercando o ouvinte.  

“Sheer Terror” começa em um volume bastante baixo, mas vai aumentando e podemos perceber um som grosso e rosnado de teclado. Conforme se desenvolve, outros elementos entram na faixa e começam a ocupar o centro do palco. O disco encerra de uma forma muito aterrorizante e em um ar de suspense.  

The Burning é uma trilha sonora – ou meia trilha sonora - muito mais interessante do que o filme, porém, a compra de um álbum de trilha sonora, ao contrário do que muita gente possa pensar, não precisa estar ligada exatamente com o filme que foi assistido antes, principalmente quando temos o nome de Rick Wakeman na capa do registro. Embora no geral seja morno, The Burning às vezes surpreende.

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