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Resenha: Power And Outcome (2017)

Álbum de Cast

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Power and Outcome flui em tons e texturas que elevam o estado de espirito

Por: Tiago Meneses

27/03/2021

Quando falamos de Cast, falamos de uma banda mexicana de rock progressivo sinfônico que foi formada no final da década de 1970, tendo lançado o seu primeiro disco somente muitos anos depois, em 1994. A banda apesar de possuir uma sonoridade vintage, não necessariamente faz um som para agradar apenas quem procura grupos que se espelham na era clássica do rock progressivo para fazer a sua música, pois a banda também consegue incrementar muito bem um toque moderno. 

“Rules Of The Desert” é uma faixa instrumental que abre o disco, sendo também a mais longa delas, ultrapassando a marca dos onze minutos. Trata-se de uma música não muito equilibrada, pois a sua primeira metade – um pouquinho menos na verdade, diria que os seus quatro primeiros minutos - são até mesmo meio monótonas, enquanto que os seus cinco minutos finais são realmente de cair o queixo. Mas no geral serve muito bem como uma faixa de abertura.  

“Power And Outcome” começa através de um trabalho de piano incrível e um belo suporte de cordas. Os vocais são muito bons, sempre na dosagem certa, nunca faltando e nem soando exagerado. Possui uma grande variedade de sintetizadores que na parte central é muito bem apoiado por um excelente solo de guitarra seguido por um de violino. Certamente um dos melhores momentos do disco. 

“Details: a) Circle Spins” é uma música que soa mais ou menos como se tivesse sido tirada de um musical da Broadway. Considero toda a produção dessa faixa algo bastante teatral, onde a banda entrega uma faixa musicalmente simples é uns bons vocais, ainda que também entregue ao ouvinte algumas letras pobres e nada além disso. “Details: b) Start Again” usa de alguns truques do rock pesado principalmente do final dos anos oitenta. Bumbo veloz, guitarra base pulsante, sons de sintetizadores e um trabalho de guitarra solo bastante agressivo. Esta é mais uma faixa instrumental do disco.  

“Through Stained Glass” possui um vocal no estilo Styx anos oitenta. Traz umas ótimas melodias e progressões de acordes. Nunca canso de falar que adoro um refrão bem feito, e isso infelizmente é a fraqueza esta faixa – e mesmo assim é a faixa que mais gostei no álbum. Possui solos incríveis e excelentes performances conjuntas de puro progressivo – principalmente a partir do quarto minuto. Por volta dos seis minutos tudo toma um novo direcionamento, tornando o som mais suave – mas ainda bastante técnico e melodicamente arrebatador. Violino também completa maravilhosamente essa longa passagem instrumental simplesmente hipnotizante.  

“Ilusions And Tribulations” começa dando a sensação ao ouvinte como se fosse uma espécie de continuação da faixa anterior. Por volta da marca de dois minutos, acontece uma mudança distinta que acaba estabelecendo uma configuração para um solo virtuoso de guitarra excelente e o mais longo feito em todo o álbum. Como sempre há um bom uso de teclado.  

“The Gathering” novamente começa com um ar que parece uma continuação da faixa anterior. Tem o primeiro minuto com bons ataques de teclado, guitarras e violino. O vocal quando entra na faixa soa de uma forma calma e significativa, apoiando os instrumentos muito bem. Possui um momento meio celta com piano, órgão e uma fragmentação muito boa e rápida de uma guitarra que aparece de forma inesperada. Isso é seguido por uma virada em que o violino toma a rédea de uma forma inicialmente calma e melódica, mas vai se energizando aos poucos. Sem dúvida é mais um dos grandes momentos do disco.  

“Conquest” é mais uma das faixas instrumentais do disco. Novamente é possível notar um sentimento de recapitulação teatral. Apresenta ótimas melodias e solos e teria potencial para ser o melhor tema do álbum, mas por ser mais curta, acho que os épicos acabam levando uma vantagem em cima dela, principalmente por terem tempo de serem mais dinâmicos e de instrumentação variada.  

“Full Circle” com menos de dois minutos é a mais curta do disco. É uma faixa piano e voz e que mais uma vez traz ao álbum uma espécie de sensação teatral conceitual. Possui um bom toque de música clássica/renascentista. Tudo é muito bem feito e o vocal faz um trabalho incrível.  

“Dialect For The 21st Century” é a peça que encerra o disco. No geral é uma bela música, com uma trama bastante intrincada, na qual a bateria é o destaque nas duas primeiras seções. Uma vez que na terceira seção é configurada para o solo de guitarra – maravilhoso -, o baterista entra no fundo de uma maneira perfeita. O suporte da bateria nesta faixa é o melhor entre os feitos durante o disco, dando sempre uma base maravilhosa para os demais instrumentistas criarem por cima.  

Um disco que oferece muita música de alto nível. Bem executado do começo ao fim, bastante sólido e de grande tendência sinfônica para agradar amantes do rock progressivo old school e o neo progressivo. Possui uma cativante interação, às vezes bastante intrincada através de guitarra, violino, sintetizador, órgão, sempre reforçado por uma ótima seção rítmica. Power and Outcome flui em tons e texturas que elevam o estado de espirito.

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