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Resenha: Hearts And Knives (2013)

Álbum de Visage

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Quando o coração New Romantic tentou pulsar novamente

Por: Roberto Rillo Bíscaro

25/03/2021

O Visage era liderado por Steve Strange, host(ess) do Blitz Club, epicentro dos maquiados new romantics. Formado em 1978, o Visage teve Midge Ure e Billy Curie, do Ultravox, em sua formação e um grande sucesso em 1981, com a seminal Fade to Grey, síntese perfeita do que era o New Romantic/synthpop. Fundamental mesmo é só essa, mas vale a pena ouvir coletânea para conhecer/possuir a gelidez do teclado interestelar de Damned Don’t Cry; o balanço quadradão New Wave de Mind of a Toy; a síndrome de Roxy Music, de Visage; a de Bowie, em We Move (especialmente se você descolar um best of que tenha a versão remix) e a melancolia disfarçada da sintetizada In the Year 2525. Pouca coisa mais se salva desse grupo que em 83 já tinha álbum de “maiores sucessos”. Isso significava que já estavam mortos comercialmente, eram passé.

Em 1985, o Visage era defunto (e o New Romantic também) e a partir daí os problemas pessoais de Strange tomaram precedência. Vício em heroína, colapso nervoso e até roubo de boneco de Teletubbie em loja.

Quase 30 anos após o desmantelamento, o Visage lançou Hearts and Knives, em 2013. As 3 décadas não passaram no planeta-purpurina de Steve Strange; parece que estamos ouvindo canções lançadas em 1983. E não é que esse tornou-se o único álbum (quase) completo que mantenho do grupo? Exceto pela chata Breathe Life, gosto de todas e uma considero clássico oitentista temporão. Never Enough abre com sua referência ao batidão que Giorgio Moroder fez pra Donna Summer e bom trabalho de Robin Simon, guitarrista do Ultravox, fase pré-Midge Ure. A guitarra continua afiada e competente na maravilhosa Shameless Fashion, puro New Romantic glam, com baixo galopante e barulhinho de máquina fotográfica à Girls on Film, do Duran Duran. Sexy, desfilável e posável.

Eletricidade obcecou a geração 70’s/80’s. Além da Electric Light Orchestra (o ELO, de Xanadu, lembram?), Kraftwerk, OMD, Duran Duran, Debbie Gibson, Phil Oakey e o desprezível OFF eletrificaram títulos de canções e álbuns. O Visage, tão retro-moderno, também plugou sua moça elétrica: She’s Electric (Coming Around) tem teclados The Human League. Como resistir ao synth disco de I Am Watching?

A voz de Steve Strange nunca foi grande coisa, mas servia pra remota finalidade gelada de muito do synthpop. Em Hearts and Knives percebe-se como a idade e os desregramentos cobraram seus impostos, mas vocais de apoio estrategicamente camuflam um pouco essa deficiência e sai até canção mais lenta linda como Lost in Static ou a minissinfonia de araque de sintetizador On We Go.

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