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Resenha: Lisztomania (1975)

Álbum de Rick Wakeman

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Evite elevar suas expectativas nas estrelas e o deixe fluir, pois é um bom disco

Por: Tiago Meneses

23/03/2021

Eu admito que apesar de já ter ouvido este disco infinitas vezes, assisti ao filme apenas uma. Se trata de uma película meio estranha, uma espécie de visão alucinante e exagerada de uma versão ficcional de Franz Liszt. Um filme estranho, assim como a própria trilha sonora, porém, neste segundo caso temos as mãos de Wakeman trabalhando, então sempre podemos esperar algo surpreendente. Várias das músicas de Lisztomania possuem vocais, sendo a maioria delas cantadas por Roger Daltrey.  

“Rienzi/Chopsticks Fantasia” começa através de uma multidão gritando o nome de Franz Liszt. Considero uma maneira bastante divertida de começar o disco. Não se trata de uma faixa puramente clássica, mas não deixa de ser. “Love’s Dream” é uma música de Liszt com vocais e letras de Roger Daltrey. Uma combinação e tanto e de resultado extremamente clássico.  

“Dante Period” direciona o disco para algo muito mais poderoso. Se trata de mais uma composição de Liszt em seu cerne, porém, se trata muito mais de uma versão de Rick Wakeman. Um estilo muito caraterístico do mago em que ele escreve e organiza a música da sua melhor maneira. Sem a menor dúvida um dos meus momentos preferidos do disco.  

“Orpheus Song” consegue unir muito bem o clássico e o moderno. É uma boa música, mas não mais do que isso. “Hell”, as teclas de Wakeman junto de todo o restante do arranjo criam um legado musical louco e barulhento. Linda Lewis é que dá voz a faixa de uma forma muito clássica. Não se trata de uma faixa agitada ou quieta, mas independente disso, possui muita força.  

“Hibernation” é uma pequena composição de Wakeman com pouco mais de um minuto. Apesar de apresentar elemento de música moderna, nota-se novamente que em seu cerne o que temos é uma peça processional clássica. “Excelsior Song” é uma música que apesar de ter sido escrita por Liszt, parece muito mais com uma canção pop moderna. As letras foram escritas por Wakeman e Ken Russel, sendo os vocais ficando a cargo de Paul Nicholas. Inclusive, os vocais é o que me faz achar esta faixa um dos momentos mais fracos do disco.  

“Master Race” se um pequeno artigo – com menos de cinquenta segundos – de Wagner. Basicamente um solo de sintetizador. “Rape, Pillage & Clap” é outra música que foi escrita por Wagner. E possível notar grandes características de trabalhos solos de Wakeman. Apesar de ser eletrônica, consegue manter ao mesmo tempo a sua natureza clássica.  

“Funerailles” não poderia começar de melhor maneira através de um belo solo de piano. A música em si é toda composta por Liszt, mas a letra cantada por Roger Daltrey foi escrita por Jonathan Benson. Os vocais são muito suaves e parecem inclusive transmitir algum tipo de dor. Há também uma boa construção sinfônica conforme a música vai se desenvolvendo.  

“Free Song (Hungarian Rhapsody)” através de um sintetizador baseado em um world music em ritmo acelerado, Wakeman conseguiu fazer com que uma composição de Liszt tivesse a sua cara, ou melhor, vestisse a sua capa. “Peace At Last” é a faixa que encerra o disco. Novamente se trata de uma música escrita por Liszt, com Jonathan Benson escrevendo as letras e Roger Daltrey cantando. A música logo de cara se mostra como um rock moderno – ou pra ser mais preciso, um pop rock mainstream. Claro que não pode deixar de existir algumas marcas registradas de Wakeman para que o ouvinte não perca a mão dele justamente no final do disco. Lisztomania não poderia ter um final melhor.  

Apesar de ser um disco de 1975, não se trata de algo parecido com o que se espera de um trabalho de Wakeman naquele período, as músicas não são propriamente progressivas e abrangem diversos estilos, desde música clássica, baladas, pop e música eletrônica. Mas isso o torna um álbum ruim? Negativo, apenas evite elevar suas expectativas nas estrelas e o deixe fluir, pois é um bom disco.

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