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Resenha: Aspirant Sunset (1991)

Álbum de Rick Wakeman

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O segundo passo da terapia Suntrilogy

Por: Tiago Meneses

22/03/2021

Aspirant Sunset é o segundo disco da Suntrilogy. O disco como é de se esperar, segue na mesma atmosfera do anterior, onde segundo palavras do próprio Wakeman, "se trata de um estudo genuíno da música e dos efeitos que ela tem no corpo e na mente humana". Ele pesquisou o assunto por meio de longas discussões com o professor Cary Cooper, levando a vários "experimentos com sons, ritmos e design musical", depois testou os resultados e novamente usando as palavras dele, "em todos os tipos de pessoas, de crianças hiperativas a idosos com insônia e até mesmo em pessoas em estado terminal”. Todas essas informações podem inclusive ser encontradas nas notas do álbum em seu site oficial. Gravado na The Island of Man, local em que Rick morava na época, o álbum parece refletir a paz que o músico encontrava naquele lugar.  

“Floating Clouds” começa o álbum de uma maneira intrincada e muito bonita. Considero essa uma das melhores composições entre todas da trilogia. Wakeman captura maravilhosamente bem alguns tons e deposita alguns dos seus teclados mais característico de toda a série. “Still Waters” se inicia com uma sonoridade bastante dramática, porém, ao invés de manter a música nessa direção, Wakeman prefere mudar para algo mais calmo e melódico. Apesar de possuir beleza, não possui muita força como a faixa anterior.  

“The Dream”, falar que se trata de uma música muito bonita e tranquila acaba deixando as coisas meio repetitiva, mas esse pode ser exatamente o “problema” da série, a atmosfera linear das faixas. Eu até considero um passo à frente em relação a que a precedeu, mas não chega a subir um nível. Porém, vale uma menção que ela se torna mais exuberante conforme avança. “The Sleeping Village” tem em sua base o piano clássico, em alguns aspectos é possível notar uma abordagem bastante clássica. Além disso, a faixa possui algumas camadas de teclas que emergem vozes sintetizadas.  

“Sea Of Tranquillity” é a faixa mais longa e também a mais ambiente do disco. O conceito de música relaxante que provavelmente Wakeman quis passar, em nenhum outro momento é exemplificado na prática com tanta clareza quanto aqui. Bonita, lenta, suave, melódica e pacífica, além disso e sem que seja nenhuma novidade, não há nenhum resquício de complexidade ou virtuosismo de Wakeman, mas a forma como ela consegue encantar é algo que só caberia mesmo a um mago ser o criador. “Peace”, de uma abordagem bastante clássica, além de sintetizada e delicada. Pra mim, a faixa anterior é perfeita da sua maneira, mas para alguns pode ser vista como uma peça que faltou um pouco de energia. Bom, isso aqui é de certa forma “corrigido” – o que não quer dizer também que estamos diante de uma música animada, apenas significa que ela subiu um ou dois degraus nesse sentido.  

“Sunset” apresenta um sintetizador e vocal do tipo coral em um arranjo angelical. Tudo bem que a intenção do disco é de relaxar, mas este começo parece querer com que relaxemos muito e acaba tornando até incômodo na hora de fazer uma revisão faixa a faixa. Bonita peça, mas sem nada demais. “Drying Embers” é uma música que me pega de uma maneira diferente – algo louvável em um disco que apesar de bonito, é bastante linear na sua maneira de criações melódicas. Tem uma melodia muito bonita e excelentes texturas instrumentais.  

“Dusk” começa de maneira comum em relação as demais faixas, mas vai sofrendo uma crescente. É certo que ainda não podemos falar que estamos nem mesmo perto de quebrar a vibe de relaxamento estabelecida, mas ela possui algo mais “pomposo” que as outras. “Evening” é a faixa que encerra o disco. Obviamente, não espere que os arranjos sejam algo mais do que bonitos e sutis. Algumas de suas melodias têm um tom familiar.  

Em termos de qualidade de suas músicas, o disco entrega aquilo que podemos esperar de um mestre como Wakeman. Vou bater novamente na tecla de que não se trata de um disco para todos. Seu ritmo é inevitavelmente calmo, além do seu som tender a ser unidimensional e com pouca variedade. Mas levando em conta que o objetivo nunca foi criar algo complexo e edificante, mas sim, algo muito mais relaxante, o disco atinge bem sua proposta. Mesmo que a linha entre o relaxante e o chato seja muito tênue, Wakeman soube caminhar bem sobre ela.

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