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Resenha: Aspirant Sunrise (1991)

Álbum de Rick Wakeman

Acessos: 62


A primeira parte de uma jornada agradável e relaxante ao mesmo tempo

Por: Tiago Meneses

22/03/2021

Aspirant Sunrise é o primeiro disco da chamada Suntrilogy. O que o ouvinte tem que entender antes de começar essa viagem em três discos é que em momento algum ele irá se deparar com algum tipo de música desafiadora ou alguns dos conhecidos solos poderosos que consagram o mago como um dos melhores de sua época - para mim o melhor -, mas com uma música ambiente e new age. Uma música para relaxar como o próprio Wakeman a definiu. Não é exatamente um disco que eu recomendaria para todos, apesar de existir muito o que se gostar aqui, diria ser algo para colecionadores mais hardcore de Wakeman e aqueles que realmente gostam da sonoridade new age.  

“Thoughts Of Love” é a faixa que abre o disco através de alguns tons ambientes muito bonitos. Wakeman tece algumas ondas de melodia cativantes, mas elas nunca vão além do que imaginamos que poderia ir, e acaba ficando inerte em uma zona de conforto que pode ser tanto agradável, como maçante, dependendo do humor e disposição de quem ouve. “Gentle Breezes” apresenta uma estrutura baládica bastante suave - o que na verdade é apresentado em todo o disco. De certa forma ela soa mais musical que a anterior, além de ser mais emotiva e bonita.  

“Whispering Cornfields” apresenta um ritmo lento e por algum motivo que não sei explicar me lembra Beethoven. Tem uma grande carga dramática, ainda que isso não faça com que ela perca a sua inclinação principal em direção da new age. “Peaceful Beginnings” eu consigo sentir em alguns aspectos uma sensação natalina, uma vibração encontrada em “Silent Night”. Carrega uma atmosfera mais parecida com a faixa de abertura, mas carregando uma aura mais dramática.  

“Dewy Morn” é sem dúvida um dos momentos mais bonitos do disco. Embora ela carregue a suavidade e inquietude encontrada durante todo o álbum, também possui uma das melodias mais bonitas e emocionais encontradas aqui. “Musical Dreams” é outra das peças mais fortes do disco. De atmosfera evocativa e bonita, dá ao ouvinte uma sensação de balada ao violão.  

“Distant Thoughts” tem um fato curioso e até mesmo engraçado. Nos seus primeiros vinte segundos são possíveis notar uma semelhança com uma música do Chaves – talvez a mais conhecida e sentimental delas. No geral ela não difere muito do tom que é encontrado no resto do álbum, mas só por essa sua curiosidade já vale ouvi-la com atenção e até sorrir um pouco com a coincidência. “The Dove” traz uma sensação percussiva muito bem afiada, também pode ser considerada a peça mais dramática do disco – assim como um dos momentos mais serenos e intrigantes.  

“When Time Stood Still”, a melodia central de piano que compõe a estrutura desta faixa soa mais poderosa que o normal do álbum. Se existe algum momento em que podemos distanciar a classificação da música da new age e a colocá-la em algo mais progressivo e emocionalmente poderoso, este momento é agora. Possui um arranjo intenso e que mais se associa com um Rick Wakeman clássico. "Secret Moments” é uma música muito divertida e que parece ser tocada por uma harpa. À medida em que ela avança é possível perceber que ela se torna mais forte. “Peaceful” como o nome sugere e que não poderia ser diferente, encerra o disco de maneira pacífica. Uma faixa com tons bonitos, mas nada diferente do que foi visto até aqui.  

A primeira parte de uma jornada agradável e relaxante ao mesmo tempo. Como já dito, um disco para um público mais restrito. Se a música new age ou ambiente não faz o seu estilo pelo motivo que for, o nome de Wakeman na capa do disco não vai fazer você mudar de ideia.

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