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Resenha: Gazeuse! (1976)

Álbum de Gong

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Novos caminhos musicais pelo universo do fusion

Por: Márcio Chagas

21/03/2021

O Gong foi formado para dar vazão as ideias psicodélicas e viajantes de Daevid Allen e sua esposa Gilli Smyth ainda no final dos anos 60, sendo um dos precursores da chamada Cantebury sound.

Desde o inicio o grupo passou por várias mudanças em sua formação, sempre capitaneado pelo casal. Porém, Allen foi ficando cada vez mais insatisfeito com os rumos de sua própria banda, pois os músicos tentavam seguir um direcionamento mais instrumental e menos progressivo. 

Tal fato culminou com sua saída em 1974, após o lançamento de “You”.  Sem Allen e Smyth, o grupo ainda lançou o irregular “Shamal” no ano seguinte, que já trazia sinais do que o grupo se tornaria. Após seu lançamento o guitarrista Steve Hillage também pede as contas, deixando o controle nas mãos do baterista Frances Pierre Moerlen, que integrava o combo desde 1973.

Moerlen decidiu investir cada vez mais na sonoridade jazzística instrumental que já havia sido apresentada de maneira moderada nos álbuns anteriores e para ajuda-lo na empreitada trouxe duas figuras seminais para a reestruturação do som: O guitarrista Alan Holdsworth, um dos grandes nomes do fusion na Inglaterra e seu irmão Benoit Moerlen, hábil vibrafonista. 

O “novo” grupo entrou no “The Manor Studio” em Oxford para gravar seu novo álbum com um time invejável de músicos, como o baixista Francis Moze, o saxofonista e flautista Didier Malherbe e o percussionista Mino Cinelu, além dos citados.

“Gazeuse!” é a ratificação das mudanças proporcionadas há dois anos antes, apresentando  um fusion dinâmico e original,  uma vez que o vibrafone de Benoit teve um papel de destaque nos temas apresentados. Seu instrumento contrasta com a guitarra ainda rockeira de holdsworth, que na época ainda não havia aprimorado seu estilo. O sax de Malherbe consegue fazer uma ponte entre os dois instrumentos tão distintos como pode ser visto em “Esnuria”

Canções como “Expresso” que abre o álbum, “Night Illusion” e  “Percolations”, trazem uma banda influenciada pelos grandes expoentes do fusion como Return to Forever e Weather Report, que trazem uma sonoridade mais abrangente, sem a necessidade da guitarra se mostrar tão presente e com a adição de elementos percussivos tribais.

Com este álbum a banda se distancia de vez da concepção musical originalmente criada por Allen, uma vez que não há qualquer resquício de progressivo ou psicodelia. Aliás, este disco só saiu com o nome de Gong por motivos contratuais, uma vez que o nome adotado pelo líder seria "Pierre Moerlen's Gong". Essa alteração só ocorreria em 1979 com o lançamento de “Downwind”.

“Gazeuse!” e toda segunda fase do grupo sempre foi muito subestimada pelo fato do grupo ser creditado até os dias de hoje como um veiculo para as ideias lisérgicas de Daevid Allen. Assim, os fãs do guitarrista não gostam desta segunda fase e os admiradores de fusion sequer sabem que ela existe. 

Porém, todos que gostam de um fusion feito com qualidade, originalidade e competência devem conhecer esses magníficos trabalhos.

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