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Resenha: Roberto Carlos (1969)

Álbum de Roberto Carlos

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Novas sonoridades!

Por: Débora Arruda Jacó

15/03/2021

A cada lançamento, Roberto Carlos firmava-se mais como o “rei” da nossa música. Não, não tinha para quase ninguém...e olha que a concorrência era de peso! Ronnie Von, Wanderley Cardoso, Jerry Adriani, Eduardo Araújo e o ascendente Paulo Sérgio eram alguns dos “rivais” do “rei”: todos apresentavam qualidade e méritos, mas era Roberto que “conquistava” a juventude. O ano de 1969 foi o lançamento do nono álbum do cantor, considerado um dos melhores de sua carreira e que mostra uma fase mais madura. Roberto apresentava novos sons, distanciando-se mais do “rock iê-iê-iê” (porém, ainda presente). O ouvinte se deparava com ritmos “novos” como soul, funk, e blues – o que pode explicar a leve queda nas vendas desse álbum.

A primeira faixa é a soul e ultrarromântica “As Flores do Jardim da Nossa Casa”, uma das parcerias de Erasmo Carlos no álbum. Canção emotiva e que não consigo imaginar outra pessoa que não seja o próprio RC interpretando. Um dos arranjos mais complexos em minha simples opinião. A seguinte é composição de Puruca: “Aceito Seu Coração”, que inicia com belos toques de violão, seguidos pelo vocal marcante de RC que interpreta a romântica letra. A terceira canção é o maravilhoso soul/blues “Nada Vai Me Convencer”, o tipo de música que se encaixa perfeitamente para a voz e interpretação do “rei”, com ritmo balanceado se aproximando do bom e velho rock – Composta por Paulo César Barros do Renato e Seus Blue Caps. Boa faixa!
“Do Outro Lado Da Cidade” foi composta por Helena dos Santos, uma das compositoras preferidas de Roberto: é uma boa canção rock, de ritmo balanceado que ainda se aproxima da Jovem Guarda – um “presente” para os velhos fãs. Próxima do blues, temos a composição de Nenéo: “Quero ter Você Perto de Mim”, uma das novas tendências musicais mescladas por Roberto Carlos. É uma canção romântica que antecede a famosa canção instrumental, “O Diamante Cor-de-Rosa” do filme homônimo (1970). Não deixa de ser uma inovação na carreira de Roberto, pois se trata de um dos raros momentos instrumentais do artista, realizando o belo e melancólico solo de gaita. Porém, os melhores momentos ainda estão por vir: a magnifica composição de Tim Maia, “Não Vou Ficar”, com grandes influencias do funk é um dos melhores momentos tanto de Tim como de Roberto: a letra combina muito bem com o estilo peculiar de RC, que a interpreta maravilhosamente. Sem falar dos arranjos: ótimo naipe de metais e a ótima linha de baixo realizada por Paulo César Barros. Grande música. A seguinte é a excelente “As Curvas da Estrada de Santos” (talvez a minha preferida!) composta por Roberto e Erasmo Carlos – fortemente influenciada pelo soul e funk music. Um dos maiores hits de RC e sempre presente nos shows. Roberto além de compor a faixa, fez uma ótima interpretação tornando-se um de seus melhores momentos na carreira. Foi tão contundente, que a nossa saudosa Elis Regina a regravou posteriormente (E ficou excelente!). Dando continuidade à bela sequência de clássicos, temos a ótima “Sua Estupidez”, mais outra feliz parceria de Roberto e Erasmo Carlos. A canção triste, um desabafo de amor e com arranjos impecáveis se tornou um dos maiores clássicos de nossa música. Também teve uma bela regravação de Gal Costa em 1971. Boa faixa! 
Outra composição de Roberto e Erasmo, “Oh! Meu Imenso Amor” é mais uma inovação do artista: se trata de uma singela valsa, bem interpretada por RC. Creio ter sido muito executada nos bailinhos dos anos 60...Nostalgia pura! A penúltima é composta por Edson Ribeiro: “Não Adianta”, balada típica dos tempos do iê-iê-iê /Jovem Guarda, do jeito que Roberto gostava de cantar. O álbum encerra com a composição de Getúlio Cortês: “Nada Tenho a Perder”, balada romântica, nos moldes do iê-iê-iê também. Destaque para o arranjo que apresenta belos toques de violão clássico, fechando com chave de ouro.

E novamente, temos mais um clássico do “rei” Roberto Carlos. É sempre uma boa pedida conhecer e ouvir a obra desse artista tão importante para a história da musica brasileira.

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