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Resenha: The Beatles (The White Album) (1968)

Álbum de The Beatles

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O disco mais eclético do Fab Four

Por: José Esteves

25/02/2021

Após o sucesso estrondoso que os Beatles alcançaram no ano anterior, o grupo decidiu ir para a Índia para se afastar de tudo por um tempo e realmente aprimorar suas qualidades como compositores. Apesar da maior parte das composições tenha sido criada no retiro, elas foram gravadas no Abbey Road Studios com a utilização inédita para a banda de gravação em oito faixas, ao contrário das quatro que era o normal na época. O disco duplo foi um sucesso no lançamento e é o mais premiado da banda (24 discos de platina) além de ser o décimo disco na lista da Rolling Stones de melhores discos.

De todos os álbuns que os Beatles produziram, esse é o mais eclético. Mesmo que a maior parte das composições tenham vindo do John Lennon trabalhando sozinho (14 das 30 músicas), todos aparecem no disco como compositores, mesmo que em diferentes escalas (Ringo Starr apenas escreveu uma, a pouco lembrada “Don’t Pass Me By”). Somando a isso uma tentativa de fazer um som completamente inédito cobre a maior parte das músicas com um filme de “tentando demais ser o som do futuro”, com a faixa mais infame dos Beatles (“Revolution 9”).

Fora essas pequenas tentativas de fazer algo completamente novo, o disco tem muitas músicas interessantes: baladas do George Harisson com um foco interessante na guitarra (“While my Guitar Gently Weeps”), pop super românticos do McCartney (“I Will”), rocks mais tradicionais (“Back in the USSR”), resgates de músicas mais antigas como ragtime (“Honey Pie”) e um country mais folk (“Rocky Raccoon”); mas o que nunca sai de contexto é uma espécie de tendência ao psicodelismo constante da década (“Happiness is a Warm Gun”, “Savoy Truffle” e “Everybody Got Something To Hide Except Me And My Monkey”). Para alguém acostumado, é um disco tradicional de se ouvir de uma vez só: para os marinheiros de primeira viagem, talvez seja melhor ouvir cada disco separadamente.

A melhor faixa do disco é a balada “Blackbird”, uma balada de voz e violão de origem dúbia (McCartney variou de explicações desde o racismo no sul dos Estados Unidos até um melro que cantava onde ele se hospedou na Índia) que mostra a qualidade como violonista que o compositor passava na época, com um dedilhado baseado em Bourée de Bach.

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