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Resenha: Revolver (1966)

Álbum de The Beatles

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Revolucionário Pré-Revolução

Por: José Esteves

22/02/2021

Sendo o último disco dos Beatles antes da aposentadoria deles dos shows e turnês, o álbum se dedica única e exclusivamente a experimentação no estúdio. Por conta disso, o disco é considerado por muitos como o melhor álbum dos Beatles e um avanço considerável na capacidade de criação de um som mais variado. Ele alcançou a certificação platina em quase todas os países que tem algo do tipo, ficou em terceiro lugar na lista da Rolling Stones de melhores álbuns e depois do relançamento em CD na década de 90, trouxe nova vida ao catálogo da banda, que nunca fica muito tempo em desuso.

Na primeira vez que você ouvir esse disco, ele pode parecer abrasivo ou agressivo demais. Definitivamente, é um disco mais cínico que parece seguir a fórmula do “Rubber Soul” de forma seca e crítica. São nos pequenos argumentos que a banda flui melhor: o psicodelismo sugerido no passado se torna evidente; a utilização de outros instrumentos fora do que o Rock até hoje em dia considera normal; e a ausência quase que total de uma música completamente sincera de amor. Além disso, algumas músicas parecem ser protótipos de músicas que mais tarde estariam melhor aproveitadas (“Good Day Sunshine” evidentemente seguindo o mesmo roteiro que “Penny Lane” três anos depois).

Por razão do que eles iriam se tornar, o disco acaba tendo poucos hits que fazem sucesso até hoje: “Yellow Submarine”, é claro, que virou uma música infantil famosa; “Eleanor Rigby”, uma música com um arranjo de cordas sobre a solidão das pessoas de arrancar lágrimas; e “Here There And Everywhere”, uma das supracitadas poucas músicas de amor do álbum. O disco brilha mais forte quando a psicodelia ainda se baseia em algo sólido: “Doctor Robert”, uma música que vai do coro suave ao rock levado na guitarra sobre um médico que prescrevia drogas; e “I’m Only Sleeping”, um ode a preguiça com um solo de guitarra gravado ao contrário, servindo como um exemplo de como a experimentação em estúdio fortalecia o conjunto, são duas faixas mais drogadas que valem muito a pena ouvir. Talvez no momento em que o abstratismo ganha espaço demais (“Tomorrow Never Knows” e “I Want to Tell You”) o disco perca um pouco, mas ainda assim, o álbum ainda é sólido.

A melhor música do disco é “For No One”, uma música melancólica sobre um relacionamento que continua apesar de não ter mais razão para existir como um casal. Paul McCartney carrega a tristeza nos ombros tocando sozinho todos os instrumentos exceto a percussão, deixada para Ringo, e até tem um solo de trompa para dar aquela extra polida na faixa.

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