Para os que respiram música assim como nós


Resenha: Dragon's Kiss (1988)

Álbum de Marty Friedman

Acessos: 61


Primeiro álbum solo de Friedman é uma profusão de riffs e solos fantásticos!

Por: Márcio Chagas

20/02/2021

Esta talvez seja minha resenha mais rápida. Eu não planejei fazê-la. Estava navegando pelo site quando me deparei com este disco e lembrei a minha adolescência.

Na época em que gravou este disco, Friedman ainda não era reconhecido pelo seu trabalho com o Megadeth. O músico começava a despertar interesse do grande público ao integrar o Cacophony, um grupo de speed e neoclassic metal ao lado do amigo e guitarrista Jason Becker.

A oportunidade para a gravação de seu primeiro disco solo se deu por conta do convite de Mike Varney, colaborador da revista Guitar Player e um entusiasta de novos talentos das seios cordas. Varney produziu o petardo ao lado de Friedman, que tocou guitarras, baixos e sintetizadores, contado apenas com a ajuda do baterista Deen Castronovo, que na época também era um músico relativamente desconhecido, com experiência apenas no Bad English, grupo capitaneado pelo Journey Neal Schorn;

O disco é totalmente instrumental, obviamente com ênfase na guitarra e na técnica de Friedman, que se mostrava um grande riffmaker, aliando velocidade, peso e virtuosismo. Diferente de outros guitarristas velozes, Friedman utilizava escalas diferentes e exóticas, ampliando seu vocabulário musical e tornando a audição mais agradável. 

Dos temas apresentados, vale destacar: “Saturation Point” que abre o álbum com a insana introdução de Castronovo e seu bumbo duplo. É um tema que nos remete ao Cacophony, principalmente pela participação de Jason Baker, que duela com Marty no decorrer da canção. Essa música me deixou no espaço por uma semana quando ouvi pela primeira vez; “Namida”, é uma quase balada, que mostra o lado passional do guitarrista;

O maior tema do disco, “Forbidden City”, possui influência de musica progressiva e várias mudanças de andamento, inclusive com uma profusão de riffs que caberiam muito bem no Megadeth; E ainda “Evil Thrill”, com seu inicio cadenciado, influenciado pelo doom e andamento dinâmico, como riff da base “em cima” da bateria de Deen;

Na época de seu lançamento, em agosto de 1988, este tipo de música instrumental e virtuosa ainda era desconhecida por aqui. Os discos de Joe Satriani não existiam em nossas terras e “Passion and Warfare” de Steve Vai, só chegaria ao mundo em 1990, inclusive no Brasil, quando este tipo de música começou a se popularizar.

Porém a Eldorado, com um pequeno catalogo, realizou uma parceria com a Roadrunner e lançou este disco no Brasil! Essa inacreditável façanha pra época, me deu acesso ao álbum, a carreira de Friedman e ao estilo “instrumental de guitarra”, até então desconhecido por mim e por essas terras tupiniquins.

Em uma escala mundial, “Dragon´s Kiss” elevou o nome de Marty Friedman no cenário musical, colocando-o em evidência e permitindo que integrasse uma das maiores bandas de Thrash do planeta.

As publicações de textos e vídeos no site do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do respectivo autor


Compartilhar

Comentar via Facebook

IMPORTANTE: Comentários agressivos serão removidos. Comente, opine, concorde e/ou discorde educadamente.
Lembre-se que o site do 80 Minutos é um espaço gratuito e aberto para que o autor possa dar a sua opinião. E você tem total liberdade para fazer o mesmo, desde que seja de maneira respeitosa.