Para os que respiram música assim como nós


Resenha: Three Quartets (1981)

Álbum de Chick Corea

Acessos: 83


Rara parceria entre Chick Corea e Michael Brecker resulta em um álbum clássico!

Por: Márcio Chagas

20/02/2021

Acho interessante como álbuns excelentes conseguem passar despercebidos na discografia de um músico, principalmente se o volume de discos for grande. Este é o caso de “Three Quartets”, lançando em 1981.

Que Chick Corea foi um dos maiores pianistas / tecladistas do universo do jazz e fusion ninguém discute, mas o músico também era um prolífico compositor, sempre criando temas de qualidade inigualável. 

Naquele ano, Corea quis criar composições como se fossem escritas para quartetos de cordas eruditos, com influência direta dos principais períodos: Barroco, clássico, romântico e impressionista.

Porém, o quarteto em questão não seria o tradicional quarteto de câmara, mas um quarteto de jazz, interpretando os temas sob sua ótica jazzista e não clássica. 

Para um projeto tão ambicioso, seria de extrema importância que Corea se aliasse aos músicos certos, que soubessem interpretar as composições conforme imaginado inicialmente pelo pianista ou o projeto correria o risco de fracassar.

Para a cozinha, Chick chamou o baixista porto-riquenho Eddie Gomez e o baterista Steve Gadd, dois músicos que sempre trabalharam com o pianista e haviam tocado em seu álbum “Friends”, de 78.

O ultimo membro do quarteto seria uma grata surpresa: Corea convocou o saxofonista americano radicalizado em Nova York Michael Brecker. Embora viessem da mesma escola musical e tivessem trabalhado com artistas em comum, os músicos nunca haviam gravado juntos e este disco é uma rara colaboração de ambos em estúdio. 

A decisão de convocar Brecker para dividir os solos foi acertada, embora o saxofonista tivesse sua carreira ligada ao jazz rock por inúmeras parcerias, sua formação vinha da Berklee School e seus conhecimentos sobre clarinete e  demais instrumentos de sobro o ajudaram a ter uma visão semelhante a de Chick na concepção do disco.

O vinil original é composto por três longos temas, nomeados pelo apelas pelo numero. Do lado A temos “Quartet nº 1 e 3, e no lado B “Quartet nº 2”, dividido em duas partes. A estrutura harmônica de cada canção é diferente de um tema comum de jazz, pois seu conceito se aproxima de composições eruditas, principalmente na divisão estrutural de cada tema. 

Gomez e Gadd apresentam uma cozinha com um elo quase palpável, fornecendo uma base segura e precisa. Corea e Becker dividem os solos de maneira irrepreensível, como se tocassem juntos há anos, conseguindo apresentar ao ouvinte a proposta originalmente pensada. 

No relançamento em CD, foram adicionados temas gravados na época, onde mostram o quarteto a vontade improvisando durante seu tempo livre em estúdio. Como destaque, uma releitura de “Confirmation” de Charlie Parker, apenas com Brecker no sax e Corea na bateria, mostrando o quanto a dupla estava a vontade durante as gravações.

Esta resenha tem por objetivo chamar a atenção para este disco fantástico, na maioria das vezes esquecido em meio a fantástica discografia do músico e também uma forma de homenagear Chick Corea, que nos deixou no dia 9 de fevereiro de 2021 aos 79 anos em decorrência de um câncer raro e não especificado.

As publicações de textos e vídeos no site do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do respectivo autor


Compartilhar

Comentar via Facebook

IMPORTANTE: Comentários agressivos serão removidos. Comente, opine, concorde e/ou discorde educadamente.
Lembre-se que o site do 80 Minutos é um espaço gratuito e aberto para que o autor possa dar a sua opinião. E você tem total liberdade para fazer o mesmo, desde que seja de maneira respeitosa.