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Resenha: Script for a Jester's Tear (1983)

Álbum de Marillion

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A estreia marcante de um grande nome do rock progressivo

Autor: André Luiz Paiz

23/02/2018

O Marillion foi formado em 1979 inicialmente sob o nome Silmarillion, inspirado no título de um dos livros de J.R.R. Tolkien. Surgiu na cena musical em 1982, com o lançamento do single/EP "Market Square Heroes". Não vendeu muito, mas chamou atenção pela qualidade do material. A faixa-título, "Three Boats Down from the Candy" e "Grendel", esta última assumidamente inspirada em "Supper's Ready" do Genesis, traziam qualidade e muita inspiração do rock progressivo da década anterior.

Já em 1983, debutaram em definitivo com o seu primeiro full-length, "Script for a Jester's Tear", álbum considerado por muitos o melhor da banda. Um álbum puramente progressivo e com uma bela divisão de espaço entre os membros. Fish traz seu cartão de visitas revelando-se um poeta. Steve Rothery mostra ser um guitarrista com influências claras de Pink Floyd, Genesis e Camel. Mark Kelly um belíssimo tecladista, inspirado pelos sons de Rick Wakeman e Tony Banks. Pete Trevawas é cirúrgico no baixo e Mick Pointer também não decepciona com as baquetas, apesar de ter deixado o grupo logo após as turnês de divulgação.

O álbum é iniciado com a faixa-título. Um clássico! Uma canção de letra melancólica e sentimental. Fish conta sobre as tentativas de reconquistar um amor perdido em uma faixa com grandes melodias e alterações de temas. O tema final é emocionante.
"He Knows You Know" se destaca pela diversidade, fugindo do padrão. Excelente faixa, que conta com linhas belíssimas de sintetizadores. A letra fala sobre um jovem problemático envolvido com drogas.
"The Web" fala sobre superação, reflexão sobre os erros e os problemas por estar preso ao passado. Uma peça de quase nove minutos com levadas mais cadenciadas e densas, com grande destaque para Pointer, Kelly e Rothery.
Garden Party é uma crítica à elite e sua superioridade. Fish fala sobre uma festa no jardim de pessoas ricas com todas as suas futilidades. Uma faixa bem conhecida por ter um andamento diferente e característico.
"Chelsea Monday", a minha favorita. Aqui Steve Rothery passeia com sua guitarra com passagens maravilhosas. Todas as vezes que Fish pronuncia o nome da canção sentimos uma emoção diferente. A faixa é cadenciada, densa e muito melódica. A letra fala sobre uma mulher e sua busca sem sentido pela fama.
"Forgotten Sons" encerra os trabalhos com Fish referindo-se ao problemas da Irlanda. A canção expõe a atuação do Exército Republicano Irlandês, destacando a negligência das autoridades e familiares para com os jovens desse movimento terrorista. Fish descreve diversas situações ao redor do tema enquanto Steve Rothery divide com ele alguns momentos com riffs e solos memoráveis. Essa é a faixa mais difícil de assimilar, porém, com o passar do tempo se torna mais um clássico.

Influenciado por grandes bandas dos anos 80 e com um time de extrema qualidade, o Marillion estreava com o pé direito em "Script for a Jester's Tear", dando início a uma carreira extremamente bem-sucedida.

Os textos publicados na página do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do autor


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