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Resenha: Balls To Picasso (1994)

Álbum de Bruce Dickinson

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O renascimento de Bruce Dickinson

Por: André Luiz Paiz

19/02/2021

"Balls to Picasso" não é só um ótimo disco na carreira solo de Bruce Dickinson. É também um álbum que marca o seu renascimento como artista e também o início de uma parceria com o guitarrista e produtor Roy Z que rendeu bons frutos.

Antes de chegar até o produto final, Bruce fez algumas tentativas. Primeiro, começou a criar algumas ideias quando ainda estava no Iron Maiden, provavelmente já se preparando para sair. Tentou trabalhar com o apoio da banda britânica Skin e depois com o produtor Keith Olsen. Nada deu certo, até que encontrou o talentoso guitarrista Roy Z, que trouxe consigo a banda Tribe of Gypsies. E assim, "Balls To Picasso" começou a ser desenhado.

Temos aqui uma clara intenção de Bruce em não soar como Iron Maiden. O disco traz hard e metal em uma abordagem mais contemporânea de meados dos anos 90. São músicas que possuem melodias acessíveis, mas ao mesmo tempo trazem uma densidade bem interessante.
A performance vocal de Bruce está brilhante, cantando bem mais do que nos últimos dois álbuns com o Iron Maiden. O vocalista faz uso da sua voz mais limpa e também de alguns drives na medida certa.

São dez faixas e acho que não preciso mencionar muito a balada clássica "Tears Of The Dragon". Uma faixa perfeita dentro de sua proposta e daquelas que até os fãs apenas de "Wasting Love" e "Fear Of The Dark" conhecem. A densidade já está estampada na ótima e moderna faixa de abertura "Cyclops", que é seguida pela excelente "Hell No", que começa suave e traz um peso interessante no refrão. "Gods of War" é pra cantar junto e mostra o motivo de Bruce ser um dos maiores de todos os tempos. O vocalista elevou o refrão a um nível absurdo. E a primeira metade é encerrada com duas faixas pesadas e com foco no refrão: "1000 Points of Light" e "Laughing in the Hiding Bush", esta última também foi considera como opção para título do álbum em referência ao filho de Bruce. Bons riffs e solos de guitarras em ambas.
A segunda metade traz a balada "Change of Heart", que considero fenomenal. A interpretação de Bruce é fantástica. Depois temos "Shoot All the Clowns" como a que chega mais próxima da sonoridade de "Tattooed Millionaire", primeiro solo de Bruce, e também foi single pelo mesmo motivo, por ser mais acessível. O peso volta em "Fire", outro grande momento. Por fim, "Sacred Cowboys" tem umas partes meio estranhas, com Bruce meio cantando/falando, mas seu refrão a faz valer à pena.

"Balls To Picasso" é um disco importantíssimo na carreira de Bruce. Um trabalho que lhe deu forças para seguir sozinho e encontrar um caminho pós-Iron Maiden. É também um registro diferente e certamente muito interessante.

Bruce viria a tropeçar um pouco depois, achando que poderia mergulhar no mercado fonográfico focando na "bola da vez", a era Post-Grunge. Falhou, mas logo se reergueu e se fez novamente relevante.
Algumas versões especiais deste disco trazem também algumas faixas criadas antes da parceria com Roy Z. Fica a dica para procurar.

Tracklist:
Cyclops	7:56
Hell No	5:11
Gods Of War	5:01
1000 Points Of Light	4:24
Laughing In The Hiding Bush	4:20
Change Of Heart	4:59
Shoot All The Clowns	4:23
Fire	4:27
Sacred Cowboys	3:51
Tears Of The Dragon	6:20

Banda:
Bruce Dickinson - vocal
Roy Z - guitarra
Eddie Casillas - baixo
David Ingraham - bateria

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