Para os que respiram música assim como nós


Resenha: Rubber Soul (1965)

Álbum de The Beatles

Acessos: 83


O primeiro de uma longa linha de discos gigantes

Por: José Esteves

18/02/2021

Após cinco discos, dois filmes e várias turnês, eles finalmente tinham poder o suficiente para poder produzir um álbum sem as pressões da rádio e de outros compromissos. Sendo o segundo dos Beatles com apenas músicas originais, esse disco também é creditado como sendo o ponto de mudança dos Beatles do romântico clássico para o psicodelismo do final da década de 60. O álbum alcançou seis certificações platina nos Estados Unidos e é considerado uma das maiores influências da música contemporânea da época.

A partir desse disco, os Beatles realmente entram em um ritmo de apenas melhorar até o Abbey Road, com música forte atrás de música forte. As ideias juvenis do amor fofo e perfeito simplesmente acabaram, dando espaço a praticamente tudo menos o amor idealizado de sempre. As faixas estão mais elaboradas instrumentalmente, tem muito mais experimentação que no passado e quase todas as músicas do disco tem um solo de guitarra. Tematicamente, fora de amor, tem espaço para mensagens políticas (“Nowhere Man” e “The Word”), marcando a primeira vez que uma mensagem política óbvia foi lançada em um disco dos Beatles.

Porém, o disco como um todo tem um problema de ritmo: são 14 músicas, e existem músicas incríveis no meio, mas em especial as três últimas músicas são bem fracas. Parece realmente que acabou o gás, mesmo tendo uma música muito boa com o Ringo Starr cantando (“What Goes On”) bem antes disso. Outra faixa que merece atenção é “Norwegian Wood (This Bird Had Flown)” que eu diria que é o começo das influências indianas, que pouco depois iam chegar para ser os pontos baixos dos discos dos Beatles, mas que por enquanto tem qualidade, misturado com o pop folk da época.

A melhor música do disco é “In My Life”, uma balada bem leve baseada em um riff de guitarra que fala sobre o amor ao amigo e o amor as memórias. Não só ela é tão leve que você nem sente ela passando, como ainda tem um solo de teclado com influências barrocas, que é a única vez que eles tentaram algo do tipo. O vocal do John Lennon está no seu melhor, a capacidade como escritor deles está no máximo, é uma das melhores música do catálogo dos Beatles.

As publicações de textos e vídeos no site do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do respectivo autor


Compartilhar

Comentar via Facebook

IMPORTANTE: Comentários agressivos serão removidos. Comente, opine, concorde e/ou discorde educadamente.
Lembre-se que o site do 80 Minutos é um espaço gratuito e aberto para que o autor possa dar a sua opinião. E você tem total liberdade para fazer o mesmo, desde que seja de maneira respeitosa.