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Resenha: Galactica (2019)

Álbum de Lebowski

Acessos: 40


Mais uma bela trilha sonora de um filme inexistente

Por: Tiago Meneses

18/02/2021

No ano de 2010 a Lebowski já havia chamado bastante atenção através de Cinematic, seu disco de estreia. Ideias inspiradas, conceitos poderosos e habilidades musicais simplesmente encantadoras eram apenas alguns dos atributos apresentado pelo grupo. Foram preciso quase dez anos para que a banda lançasse o seu segundo disco, Galactica. Mesmo mantendo o seu estilo instrumental-cinematográfico característico, o álbum é visivelmente diferente – mas não menos agradável – do que o seu predecessor. 

“Solitude of Savant” tem um início orquestral e logo de cara vai conseguindo trazer uma sensação cinematográfica para o álbum. Após esse começo a banda assume a direção da faixa, tendo guitarras e piano dividindo os holofotes. As guitarras possuem certo peso, enquanto que o piano se mantem mais leve. A melodia é simplesmente adorável. Mais a frente o baixo assume o controle, enquanto que um efeito de cordas também emerge na música. Curiosamente, no encarte não tem créditos nem para a orquestra e nem para a seção de cordas. Após esta seção a guitarra inicia um solo melódico. 

“Midnight Syndrome” começa com um solo de teclado bem legal enquanto que a bateria fornece um ritmo simples e agradável. A guitarra copia a mesma melodia e faz alguns improvisos sobre ela, então que teclas e guitarra se juntam depois disso. Há algumas vocalizações femininas, sendo que em seguida há um solo de guitarra com bons toques de jazz. “Goodbye My Joy” é uma faixa de pegada bem na linha soft jazz e que é liderada por fliscorne, bandolin e um trabalho suave de guitarra. Mais pra frente há um solo de guitarra elétrica, porém, o som no geral encontrado aqui é mesmo bastante suave e acessível. Com certo esforço é possível perceber algumas linhas da música se assemelhando com “Rhayader” do Camel, só que em uma velocidade bem mais lenta. 

“White Elephant” pode ser considerado praticamente o oposto completo da faixa anterior, começando de uma maneira mais agitada através de um riff meio hard rock, sendo depois substituído por um sintetizador espacial tocando a melodia. Na medida em que as coisas se intensificam um pouco o baixo assume o comando, mas o sintetizador ainda entra na faixa para assumir novamente. A faixa no geral é um instrumental bem mais direto. 

“The Doosan Way” é uma releitura de uma faixa lançada pela banda primeiramente como single em 2013. É uma faixa mais suave e com um toque jazzístico muito bem conduzido pelo piano. O trabalho de guitarra que lidera a música é extremamente bonito. Há seções que possuem um toque de música do Oriente Médio e outras com sintetizadores espaciais. Mas no geral a base da faixa é de senso jazzístico, porém, com os seus mais de dez minutos é possível apresentar muitos sons diferentes até que ela chegue ao fim. Considero esta música um dos melhores momentos do álbum. 

“Galactica” começa através de uma sonoridade bastante suave conduzida por um piano elétrico. Ela então vai ganhando intensidade conforme as guitarras vão assumindo a melodia e sintetizadores subjacentes criam uma cama sonora belíssima, fazendo com que seja criada uma ótima sensação sinfônica. “Slightly Inhuman” tem o seu início através de um piano melódico e guitarras que criam um ótimo clima. Tudo se constrói criando uma espécie de sonoridade poética. Esta faixa tem como principal atrativo a sua construção emocional. 

“Mirage Avenue” clarinete, violão e piano são os instrumentos que dão início a música, pouco depois entram algumas vocalizações femininas. Esta faixa é extremamente suave e muito adorável, além de possuir um sentido pastoral que tem um toque cigano muito especial. “The Last King” é a faixa que encerra o disco. Começa com um riff bastante pesado por cima de uma bateria muito forte, novamente uma maneira de contrastar completamente com a faixa anterior. Os sintetizadores carregam muito bem a melodia e adicionam alguns efeitos excelentes. Uma maneira maravilhosa de fechar o álbum. 

É uma pena se a banda ficar sempre demorando quase uma década para lançar cada um dos seus álbuns. Apesar de também progressivo, o som muitas vezes é mais espacial, mas sempre muito bem feito e produzido. Por mais que eles façam um som acessível, a banda consegue impor sempre uma boa variedade em seu som. Indicado para qualquer pessoa que procure um álbum principalmente instrumental e que funde muito bem o rock espacial e o jazz.

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