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Resenha: Cinematic (2010)

Álbum de Lebowski

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Não é música apenas para ouvir, mas pra deixar invadir o coração

Por: Tiago Meneses

17/02/2021

Lebowski é uma banda conhecida por ter na sua música a ideia de fazer trilha sonora para um filme inexistente, mais ou menos como Mike Patton fez através do seu projeto Fantomas. A proposta musical em termos de influência é fortemente enraizada em um rock espacial, tendo ecos de Pink Floyd e também dos seus conterrâneos da Riverside, porém, para encaixar na prática toda a proposta teórica, a banda ampliou sua tela de sons usando elementos da música ambiente, metal progressivo, música étnica e trechos de vozes de filmes – principalmente polonês, mas também francês e inglês. Cinematic é mais de uma hora de música excelente, bem composta e maravilhosamente arranjada. 

“Trip To Doha” tem um começo bastante suave, mas com uma progressão maravilhosa. As guitarras e os sintetizadores são excelentes e criam uma atmosfera extremamente precisa. Não podemos deixar de mencionar que se trata de uma faixa instrumental, mas com já dito, com alguns vocais retirados de filmes. Uma faixa introdutória maravilhosa e que dá uma boa ideia de como podemos criar muitas imagens ouvindo o som da banda. 

“137 Sec”, apresenta alguns momentos de uma atmosfera muito sombria e que tem a capacidade de criar uma sensação de tensão e até drama. Aqui você pode simplesmente fechar os seus olhos e deixar com que os vocais femininos o levem para onde quiser para que você se torne o ator do seu próprio filme. 

“Cinematic” possui um desenvolvimento maravilhoso e uma estrutura brilhante. É muito interessante como a banda vai adicionando elementos diferentes conforme a música vai passando, não se limitando e surpreendendo o ouvinte com novos acordes, atmosferas e ritmos criando uma faixa simplesmente desafiadora e novamente bastante imaginativa. 

“Old British Spy Movie” é mais uma faixa que sugere – até mesmo mais do que as anteriores – o que o título do disco diz. Começa com um belo e imaginativo piano, mas logo sendo acompanhado por os demais instrumentos. Além dos tradicionais, também possui um elemento adicional – violino – e que adiciona uma beleza pura à música, mudando o clima e criando uma atmosfera extremamente charmosa.

“Iceland” começa com guitarra e sintetizador, junto com alguns vocais em uma linguagem que não sei dizer de qual se trata. A faixa então vai avançando aos poucos através de uma estrutura que pode não ser das mais complexas, mas está repleta de nuances e texturas diferentes. A combinação entre a música e as palavras é incrível – mesmo sem entender o idioma -, o ouvinte pode criar suas próprias imagens e história somente se atentando no tom emocional da faixa. 

“Encore” possui uma conexão francesa bastante óbvia devido ao uso de acordeão que soa suavemente e, claro, devidos aos vocais. A música é um carrossel que consegue compartilhar emoções diversas. É realmente impressionante o quanto que a banda consegue reunir tantas emoções e sons em poucos minutos, sendo isso apenas uma prova de todas as suas habilidades de compositores e interpretes. 

“Aperitif For Breakfast (O.M.R.J)”  começa com um piano que faz com que lembremos de alguns filmes antigos de terror, porém, isso dura só alguns poucos segundos antes que a música mude de direção. Sua estrutura é construída com o ótimo uso de guitarras – tanto rítmica quanto solo -, bateria suave e um teclado e sintetizador sempre preciso e elegante. 

“Spiritual Machine” é uma faixa que considero daqueles que são difíceis de esquecer depois que se escuta. Eu amo como esta faixa pega o ouvinte aos poucos, o envolvendo até que esteja completamente hipnotizado pelos seus “poderes”. Novamente se trata de uma música que não é nada repetitiva, sendo assim, está sempre se transformando e adicionando continuamente elementos diferentes. 

“The Storyteller (Svensson)” começa com um piano bastante suave e uma atmosfera onírica que depois é acompanhada por vocais falados, baixo e outros instrumentos. Esta faixa pode facilmente ser considerada o momento mais suave do álbum, pelo menos durante os seus primeiros quatro minutos, pois posteriormente teclados e bateria aparecem e dão uma sensação mais forte à faixa, além de uma guitarra elétrica enérgica.  Essa passagem não dura muito, então que uma espécie de alarma soa e a música simplesmente desaparece. 

“Human Error” é a faixa que encerra o álbum. Mais uma que começa suavemente, mas segundos depois já se torna mais intensa. A guitarra aqui desempenha um papel muito importante, enquanto que a bateria segue em uma constante e o piano é bem evidente. Pouco depois dos três minutos a banda surpreende mais uma vez e apresenta um pequeno trecho com percussão, criando algo completamente diferente de tudo feito até aqui, depois volta para a linha central e assim vai seguindo até o seu fim. 

Cinematic não traz aquele tipo de música apenas para ouvir, mas para que a deixe que invada o seu coração. Uma mistura eclética de som que é incrível. Às vezes taciturno quase sempre melancólico e sempre brilhante, além de muito bonito e envolvente.

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