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Resenha: We Will Ride (2021)

Álbum de Inglorious

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Sem energia

Por: José Esteves

16/02/2021

Com um sucesso alcançado por causa de rádios online independentes, o Inglorious está no caminho para o relativo sucesso (apesar de compara-lo ao Trans-Siberian Orchestra quanto a sucesso seja desmerecedor). Dois anos após o terceiro disco, o grupo lança o quarto com uma mudança radical no elenco: saem Colin Parkinson, Andreas Eriksson e Drew Lowe, entram Danny De La Cruz e Dan Stevens nas guitarras e Vinnie Cola no baixo.

O resultado final é meio sem energia, mas ainda é um hard rock competente e razoável. O vocalista Nathan James cita como influência o David Coverdale, mas infelizmente está mais perto do M. Shadows do Avenged Sevenfold, o que combinado com um som dos anos 70 com sensibilidades modernas, cria uma aura que não tem muito um público alvo. Elogios onde eles tem que ser feitos: os solos de guitarra do Danny De La Cruz são incríveis, principalmente quando dão para ele mais do que um compasso. No resto, os instrumentistas são competentes e a direção que o Nathan James dá as músicas não é ruim, mas como um produto final, poderia ter ficado um pouco mais de tempo no forno.

A quantidade de fillers óbvios nesse álbum é de matar qualquer disco, com faixas que herdam da anterior e não adicionam nada, morrendo desde o começo (“Do You Like It”) até a faixa título, que estranhamente não apresenta nada de novo e uma produção desigual, que decidiu cortar um pouco o drive do Nathan James (“We Will Ride”). As mais fortes são as semi-religiosas, que por alguma razão o disco apresenta mais do que deveria (“Messiah” e “He Will Provide”) e a pantanosa “Medusa”, que herdou bastante do rock sulista do Black Keys e do Creedence. O disco também tem algumas baladas, mas tem algumas que são boas (“Cruel Intentions”, que tem um dos poucos momentos em que o baixo aparece com força) e algumas que são bem fracas (“Eye of the Storm” mostra o porque dele achar que a inspiração dele é o David Coverdale, cometendo todos os defeitos que o Coverdale é famoso por cometer).

A melhor faixa do álbum é a introdutória, “She Won’t Let You Go”. É a única faixa que tem um solo de guitarra beirando ao perfeito, com todos os detalhes ótimos e se o álbum tivesse mantido o nível, ele estaria na leva perfeita de discos que saiu esse Fevereiro. Porém, mesmo sendo a primeira faixa do disco, o vocal já dá sinais de que é um daqueles esforços que vão cansando com o tempo e esgotando a paciência do ouvinte. No geral, é uma faixa bem tradicional de hard rock e as sensibilidades modernas não causam tantos problemas quanto poderiam causar, fazendo um excelente single em um álbum mais pra mediano.

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