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Resenha: Crying Of The Whales (2005)

Álbum de Abarax

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Um bom disco em prol de uma causa nobre

Por: Tiago Meneses

16/02/2021

Existem bandas que conseguem mesclar uma forte influência em bandas clássicas com suas particularidades, e com isso evitando que elas sejam vistas apenas como clones. Abarax é um destes exemplos em que alguns momentos são praticamente clones de Pink Floyd, porém, toda a sua falta de originalidade é compensada por uma excelente musicalidade e letras sensíveis, além de habilidades técnicas inegáveis. 

“Crying Of The Whales Part I” é a faixa que começa o disco. Se você mostrar para alguns apreciadores de Pink Floyd menos desavisados dizendo que se trata de um material perdido da banda, ele pode cair nessa – claro que tem que fazer isso antes que entrem os vocais. A guitarra é bastante gilmouriana, e mesmo quando os vocais são absolutamente únicos e o uso massivo de mellotron acaba lembrando-me mais Genesis, o espírito de Pink Floyd está presente em todos os lugares, até mesmo a bateria possui uma grande reminiscência no estilo de Nick Mason. Mas o mais importante é que no fim das contas a música é muito boa. 

“Journey's End” começa com algumas baleias que parecem estar chorando e uma melodia tensa e sutil fornecido por guitarra e órgão. Após essa introdução, os vocais tristonhos entram na música como quem implora por ajuda. Possui um trabalho de refrão muito bom. A bateria é muito bem orientada com um toque floydiano que realça a balada. A música termina com um forte solo de guitarra. 

“Whale Massacre” é uma música trágica e que começa com uma introdução de violino extremamente depressiva e com uma narração muito descritiva. O refrão e o órgão de orientação neoclássica adicionam mais dramaticidade à já muito triste atmosfera. A atmosfera é realçada por mais um solo de guitarra ao melhor estilo David Gilmour. O final da faixa através de órgão e guitarra é espetacular. 

“Part of Evolution” começa através de um solo distorcido de guitarra acenando quase para o metal, enquanto isso um órgão de fundo adiciona um clima barroco e alguns efeitos sonoros que pincelam o ambiente com toques espaciais. Devo ser sincero, esses caras têm talento, mas o excesso de músicas deprimentes às vezes deixa o álbum pouco atrativo, triste e repetitivo. Seria mais interessante um maior número de versatilidade. 

“Nature's Voice” é uma faixa que finalmente consegue trazer uma mudança para o álbum, mesmo que em termos de atmosfera a mudança não seja tão grande assim. É mais vibrante e pode ser considerada até mesmo um pouco AOR. 

“Point Of No Return” é uma faixa que apresenta força e muita energia, um pouco pomposa e de uma bonita melodia de fundo. Uma prova de que você pode ajudar uma causa sem necessariamente deprimir o ouvinte com faixas carregada de tristeza uma após a outra. 

“All These Walls” é uma boa música e que consegue resumir muito bem tudo o que foi apresentado até agora no álbum. Possui passagens tristes e vibrantes, bons solos de guitarra e órgão, além de vocais depressivos. Uma maneira bastante suave de se dirigir para faixa que vai encerrar o álbum. 

“Crying Of The Whales Part II” carrega uma veia mais ou menos na mesma da faixa de abertura do disco, porém, as referências à música do Pink Floyd apesar de existirem, são apresentadas com menos evidência. Uma boa forma de findar o disco. 

No fim das contas se trata de um bom disco em prol de uma causa nobre, mesmo não possuindo muita originalidade em certas passagens, faixas muito repetitivas – principalmente na sua primeira metade – e de uma depressão excessiva.

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