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Resenha: Salt Ashes (2016)

Álbum de Salt Ashes

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Tem potencial

Por: Roberto Rillo Bíscaro

14/02/2021

Fãs de pop britânico, (candidatas a) divas alternativas e dance music têm prestado atenção a Salt Ashes, desde pelo menos 2014. Nascida Veiga Sanchez, na praieira Brighton, Ashes tem lançado singles deliciosamente bem-sucedidos nos 2 lados do Atlântico. Quem não os conhece, nem se preocupe, porque o álbum homônimo de estreia os têm incluídos.

A cantora, que grava pelo selo independente Radikal Records, é preguiçosamente rotulada como mistura de Kylie Minogue com Kate Bush ou, simplesmente como cópia de Kylie. Ainda que Landslide soe como bisneta bastarda de alguma faixa do lado A do bushiano Hounds Of Love (1985) e a saltitante Sober remeta à Afrodite australiana, há mais por debaixo dessas cinzas. Por mais que o vocal de Somebody seja minogueano, impossível desconsiderar que a sexualidade vem perversamente temperada com teclados mórbidos de underground dance, que sufocam arranjo de cordas alegrinho de disco music. Ela ainda precisa aprimorar, mas Salt Ashes oferece aquela pegada de divas como Madonna e Gaga, de surrupiar do alternativo pra levar pro mainstream.

Wilderness contrasta momentos de aguda gelidez tecladística synth 80’s com segundos de gravidade, num chiaroscuro de barroco degradado. A austeridade de certos momentos do álbum só pode ser influência dos conterrâneos do Depeche Mode, como observável no clima Black Celebration de If You Let Me Go. Mas, a jovem Salt não é boba xerocadora e tempera com Vô Giorgio Moroder.

O ponto alto é a faixa de abertura, infeccioso electro com refrão quente brindado por influência de black music ianque no mundo da dance music desde sempre. Merecia ser sucesso mundial. O problema de Salt Ashes, o álbum, é que são 14 canções e falta material brilhante, então, pode dar sensação de um bocadinho longo além do necessário. Tipo, Raided é gostosa, sexy super-Little Boots, dá para ouvir de boa, mas há fillers, como Half The Battle, que, se não desanimam, também não entusiasmam. E as 3 ou 4 baladas jamais decolam para estratosfera melodramática duma Sia, para citar outra influência presente em Salt Ashes.

Tomara que Salt Ashes oportunize e otimize o potencial fartamente notável nesse primeiro álbum; o pop mundial só teria a ganhar.

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