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Resenha: Invisible Touch (1986)

Álbum de Genesis

Acessos: 80


Pode não ser o ápice do Genesis, mas faz parte de muitas memórias!

Por: Débora Arruda Jacó

14/02/2021

Não ignoro que “Invisible Touch”, já tenha sido objeto de atenção de duas resenhas anteriores: cada uma, com opiniões diferentes. Porém, a vontade de escrever sobre esse álbum, que divide opiniões é grande e por isso, o farei no presente texto.

Início analisando a arte gráfica da capa: de fato, sofrível. Nursery Cryme (1971), A Trick of The Tail (1976) e Duke (1980), por exemplo, apresentavam belas capas, e o mesmo não pode-se dizer de Invisible Touch. Melhor seria que tivessem colocado as fotos dos integrantes que integram o encarte, como capa principal...Mas, vamos analisar as canções, que é o que nos importa no momento.
O álbum abre com a faixa título: gostava muito quando era criança e acredito que foi uma das primeiras canções que contribuíram para o meu “entendimento de rock” ...Não necessariamente, de rock progressivo. Invisible Touch é ao meu ver, uma faixa de synthpop.  Fez parte da trilha sonora da novela Roda de Fogo (1986). A próxima é Tonight, Tonight, Tonight, integralmente, sem cortes. O que mais me chama a atenção é o efeito sonoro dos teclados de Banks, que lembram “grilos” noturnos. A letra fala de frustração, “peso”, não lembrando em nada as letras da fase Gabriel... Mas, eu gosto. A terceira é de temática sociopolítica e que considero de longe, a melhor letra: Land of Confusion, que mostra uma face mais politizada do grupo – a letra é de Mike Rutherford, na qual critica os políticos neoliberais (Reagan, Thatcher, entre outros). Os arranjos, são ótimos e aquela batida “sincopada” é apropriada para os padrões radiofônicos. Gosto desse lado crítico do Genesis. 
A quarta canção é a romântica “In Too Deep”, que tocou muito nas rádios, fez parte de trilha sonora de novela (Brega e Chique – 1987) e que parece ser um trabalho “pessoal” de Mister Collins, (a letra é dele). Está muito atrelada às minhas recordações de pré-adolescentes, mas confesso meu carinho por essa singela balada. “Anything She Does” é uma canção “alegre” e dançante, que facilmente seria atribuída à Phil Collins, mas surpreendentemente, é composta por Tony Banks. Considero-a razoável. E o lado progressivo?! Sim, irá surgir através de “Domino”, que apresenta duas partes: In The Glow Of The Night é suave, sonorização de balada e apresenta efeitos simples, mas que acho bonitos. A segunda parte, antecedida por uma transição interessante por volta dos 4:32 minutos: The Last Domino, provavelmente o momento mais “progressivo” do álbum. Apresenta bons riffs de guitarra de Rutherford e ótimos efeitos e batidas.
A penúltima é a conhecida “Throwing It All Away”, mais uma que faz parte das minhas memórias (e acredito que de outras pessoas também!): Collins realiza um bonito trabalho vocal, e é uma canção de amor - apresenta belos arranjos, com bons riffs. A última faixa é: “The Brazilian”, faixa regular que tenta se aproximar de algo mais característico do rock progressivo.  
Enfim, um álbum que divide opiniões: alguns gostam, outros não. Particularmente, sou do primeiro grupo, o que não quer dizer que acho-o excelente. Tem boas canções: sim, tem. Outras, nem tão boas assim. As minhas preferidas: Land of Confusion, Tonight, Tonight, Tonight, Throwing It All Away,  Domino e In Too Deep. 

Um trabalho que marcou o Genesis, definitivamente. Invisible Touch conquistou platina nos Estados Unidos e vendeu muito aqui no Brasil também. (Ainda tenho uma edição em vinil, lançada pela RCA!). Fato que não se pode ignorar.

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