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Resenha: Burning Candle (1981)

Álbum de Burning Candle

Acessos: 60


Rock progressivo sinfônico alemão raro com muito órgão e sintetizadores

Por: Tiago Meneses

12/02/2021

A primeira vez que ouvi este power trio, confesso que não me chamou muita atenção, mas acho que muito disso se deve por minha culpa, pois não achei que uma banda alemã lançando um álbum de progressivo sinfônico no início dos anos oitenta  teria muito a dizer – ainda que as habilidades do tecladista Hans Peter Neuber tenha se mostrado de alto nível – e com isso tornei minha audição preconceituosa. Porém, depois de mais alguns giros no disco, percebi que não se tratava de mais um clone alemão de Emerson, Lake & Palmer, mas que possuíam muitas coisas interessantes que os tornavam originais e até certo ponto únicos. 

Algo que já deve ser deixado claro é que a música do trio não repousa excessivamente na pirotecnia de um tecladista como acontece com Keith Emerson, os três membros mostram cada um deles um papel bem definido, trabalhando assim como uma maquina muito bem lubrificada ao invés de uma maneira que mais parece um concurso de egos. 

“Stranger” é a faixa de abertura e se mostra claramente orientada pela música do Emeson, Lake & Palmer. Possui solos abundantes de teclado, mas sempre com uma sensação jazzística, fato que consegue leva-los para uma direção contrária da maioria dos power trio dos anos 70. “Eternal Faith” é um belíssimo interlúdio para piano que apenas reforça a ideia de Hans Peter Neuber ser um tecladista com formação clássica. Considero uma boa mudança depois de um começo de disco frenético. 

“The Appearance Of The Ghost” é uma faixa simplesmente magnifica e que oferece exatamente tudo que um ouvinte de rock progressivo clássico pode querer – ainda que estejamos falando de uma faixa de um disco de 1981. Logo na introdução a banda mostra uma carga vibrante e enérgica com uma boa fluidez de órgão e solos de moog, até que ela muda radicalmente, se tornando uma espécie de balada poderosa com Klaus Schmidt-Drempetic dando uma performance vocal muito sólida. A faixa ainda passa por outros momentos técnicos como o da introdução – que inclui um solo de bateria de Rolf Vitzthum -, sendo uma música sempre muito bem desenvolvida. 

“Mosella” é o tipo de música que eu confesso que jamais esperaria ver em um disco deste. Uma peça acústica que realmente conseguiu me surpreender completamente, mas eu gostei bastante e acho que trouxe um bom equilíbrio para o álbum. Esta faixa me remete a momentos como “Mood for a Day” (Yes) e “Horizons” (Genesis). 

“Expedition To The Sun” é a faixa que finaliza o disco com os seus quase quinze minutos. Ela soa extremamente próximo aos seus compatriotas do Eloy – mais precisamente no disco Ocean. Um intenso rock progressivo sinfônico, com linhas duplas de teclado apresentando texturas de órgão vintage com um fundo clássico e uma performance muito parecida com Genesis em relação aos sintetizadores. Definitivamente eles deixaram o melhor para o final do disco. 

Claro que 1981 não se tratava exatamente de um dos períodos mais apropriados para experimentos progressivos, com isso, a banda se desfez não muito depois do lançamento do álbum. Desde então, Hans Peter Neuber se tornou um compositor prolífico de música eletrônica e new age, lançando toneladas de álbuns solo, alguns deles também apresentam a presença de seu colega de Burning Candle, Klaus Schmidt-Drempetic.

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