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Resenha: Heilagmanoth (2008)

Álbum de Dunwich

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Para quem gosta de um ambiente gótico e brincar com imaginários fantasiosos

Por: Tiago Meneses

12/02/2021

Apesar da história da banda ter começado em 1985, até 2008 lançaram apenas quatro discos, sendo o último deles até então, Heilagmanoth. A formação deste disco foi montada em 2004, trazendo Claudio Nigris – único membro original da banda -, Francesca Naccarelli nos vocais e Roberto Fasciani no baixo. Em estúdio, contaram com a ajuda de um grande número de músicos convidados - incluindo um coro e um quarteto de cordas - que proporcionaram uma textura musical extremamente rica. O resultado é uma mistura muito interessante de uma música gótica, dark metal, música clássica, influências celtas e medievais além de industrial e heavy rock. Com tudo isso é evidente que a sonoridade da banda seja bem pomposa. A maioria das peças foi inspirada nas obras literária esotérica de escritores como Gustav Meyrink, H.P. Lovercraft ou por lendas e mitos. 

“Aranmanoth” dá início ao disco de uma maneira estranha, uma introdução de pouco mais de um minuto e meio cheia de sons assustadores e alguns cantos gregorianos de fundo. Está apenas nos preparando para a faixa seguinte. “La Casa Dell'Alchimista” é uma canção simplesmente espetacular. Possui vocais femininos seculares, góticos que são extremamente misteriosos e misturados com coros masculinos. Teclados barrocos e toque industrial, além de toda a pompa encontrada no metal sinfônico. Uma verdadeira obra de arte. 

“Tales From The Ninth Wave” é uma balada celta lindíssima e de atitude forte. Tanto os vocais de Francesca quanto a flauta conseguem criar uma atmosfera bastante delicada enquanto que o teclado, baixo e bateria transportam o ouvinte para um território metálico e de cantos gregorianos. Não tem a mesma versatilidade da faixa de abertura, mas mesmo assim, ainda é muito boa. 

“Guardians Of The Treshold” é sem a menor dúvida uma das faixas mais bonitas do disco. A voz de Francesca se mistura perfeitamente com um trabalho de guitarra que considero algo na veia do Iron Maiden – só que soando mais suave - e uma bateria bastante precisa que trabalha como uma espécie de metrônomo humano, serve como um ótimo contraste para a faixa seguinte. “Il Falso Principi” é uma faixa onde o teclado é a estrela através das mais variadas e sólidas performances possíveis. 

“Beowulf” começa com alguns sons estranhos, até que um solo de órgão nos leva de volta para a era barroca. É provavelmente a música mais cativante do disco. O cenário musical criado oferece belas melodias vocais, partes solenes e bombásticas, ótimos solos de guitarra e até empréstimos sutis de power metal. “The Flying Fear” adiciona alguns elementos de metal com conotações medievais e com isso cria um contrapeso interessante entre atmosferas opostas. 

“Leaves On The Altars To The Moon” começa cheia de sutileza através de um violão e trabalho de cordas bastante emocionais, além de uma sonoplastia de chuva e trovões. Os vocais de Francesca estão sensacionais. A música em determinado ponto muda para um momento de muito peso, coro aterrorizante e atmosfera assombrosa. 

“Terra di Ambra Neve e Fuoco Nero” começa de uma forma mais espacial e com algumas notas de violão antes que os demais instrumentos entrem e juntos criem uma aura musical quase de uma pré-guerra medieval – consigo imaginar duas tropas ficando frente a frente antes que comecem a se digladiar. A flauta desempenha um papel de suma importância aqui e basicamente ilumina o caminho da faixa. 

“La Lama il Ghiaccio e il Fuoco” é a penúltima faixa do disco, mas onde de fato podemos marcar como o seu fim. O elemento metálico é bem evidente aqui e o que temos no momento é uma espécie de Symphony X com vocais operísticos. Soa como se a banda tivesse feito uma metamorfose entre a música do século XV – neste caso a trovadora - e o prog metal, uma bela viagem em quinhentos anos de música em pouco menos de sete minutos. “ Heilagmanoth” é apenas um epílogo de ar misterioso criado para terminar o disco no mesmo clima que começou. 

Musicalidade excelente e produção cristalina. Muito difícil absorver tudo o que acontece aqui apenas com uma ou duas audições, mas isso que é o charme do álbum, a descoberta que pode ocorrer em cada audição, fazendo com que ele cresça cada vez mais dentro do ouvinte.

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