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Resenha: Medicine at Midnight (2021)

Álbum de Foo Fighters

Acessos: 260


Surpreendentemente pop

Por: José Esteves

05/02/2021

Depois do álbum “Concrete and Gold”, a banda decide entrar em hiato com uma turnê que exauriu as forças principalmente de Dave Grohl. Após pouco menos de um ano, eles decidem gravar o próximo álbum em Encino, California, onde coisas estranhas acontecem, o que causou neles uma diferença de método: onde antes havia festas depois de cada dia, nesse álbum eles queriam terminar o dia reservadamente. O disco estava planejado para sair em 2020, considerando que ele estava finalizado desde fevereiro, mas por causa da pandemia ele foi empurrado para o ínicio de 2021, com alguns singles que já chamaram a atenção por ter um som diferente: Dave Grohl comparou o disco com “Let’s Dance” do David Bowie.

Definitivamente é o álbum mais pop que o Foo Fighters já fez, especificamente o pop dos anos 80: além das influências claras do Bowie, tem muito de Oingo Boingo, U2 e outros grupos do gênero. Há espaço para a guitarra do Grohl funcionar e, é claro, o vocal do Dave Grohl ainda é o mesmo (com bem menos gritos dessa vez, para detrimento do álbum), mas tudo tem um som claramente do Foo Fighters. Por conta das construções pop, infelizmente não é exigido muito da banda, mas o baixo de Nate Mendel aparece as vezes, o que não é de todo ruim. No geral, faltou solos de guitarra e coisas mais rock para o disco ficar excelente: do jeito que está, ele é um bom álbum e só, que talvez aliene o fã do lado mais rock do grupo.

O álbum não esconde o que é, com a primeira faixa sendo provavelmente a mais pop do álbum (“Making a Fire”) e progredindo a partir daí. A faixa “Waiting on a War”, no vácuo, é uma faixa mais tradicional do Foo Fighters que não funciona tão bem, mas na roupagem pop do disco como um todo, acaba sendo um bom retorno as raízes com uma variação de energia de qualidade no meio de faixas que parecem duas faixas coladas de qualquer jeito (“Cloudspotter” e “Hold the Poison”) e faixas que lembram grandes do passado (“Love Dies Young”). De mais interessante, no meio do álbum tem uma balada quase acústica, de violão, que lembra bastante algo que tenta se encaixar no modelo Beatles, e que acaba funcionando bem como um single e não seria surpreendente ouvi-la em um show no futuro (“Chasing Birds”). No geral, se suas expectativas forem mais pop, o álbum acaba satisfazendo.

A melhor faixa do álbum é a título, “Medicine at Midnight”, com as inspirações claras de grupos alternativos de pop como Oingo Boingo. Tem um dos poucos solos de guitarra do álbum, mas o que vende a música é o fato de que o Dave Grohl tem uma voz muito carismática, criando uma situação de agradar pelo simples fato de que é ele que está cantando. Na década de 80, uma das grandes coisas que aconteceram foram essas bandas da década de 70 tentar ficar pop, como “Sledgehammer” do Peter Gabriel, e isso só tem sucesso se a pessoa por trás da música consegue esbanjar carisma a ponto de atravessar os gêneros, coisas que Grohl faz com muita qualidade.

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