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Resenha: Too Mean To Die (2021)

Álbum de Accept

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Um pouco ultrapassado para um produto moderno

Por: José Esteves

03/02/2021

Em 2018, o guitarrista Wolf Hoffman anunciou a produção de um novo álbum, desde que eles encontrassem tempo fora das turnês, porém, antes do lançamento do décimo sexto álbum da banda, o baixista Peter Baltes sai do grupo, por razões pessoais. Para completar a banda, eles chamam Martin Motnik, baixista do Uli Jon Roth, e aproveitam e chamam mais um guitarrista, Phillip Shouse, tornando o grupo um sexteto.

Existem alguns problemas óbvios quando uma banda tenta fazer um décimo sexto álbum na carreira, tentando se manter relevante, sem uma evolução natural ou uma noção de progressão que se encaixe com a realidade da música. É um álbum ultrapassado desde o início, com o pior problema sendo o vocalista: Mark Tornillo não tem um vocal muito eficiente, com um clima de gasta e cansada, o que é estranho considerando que ele não é um dos membros originais. O baixo de Martin Motnik podia não existir, e a bateria de Christopher Williams acaba criando essa atmosfera de um “power metal light” tentando ao máximo agradar ao maior número de pessoas, tentando ser saudosista e inofensivo. Mas se existe um membro que brilha é Wolf Hoffman, o único membro original que ainda está na banda: se o álbum era um pretexto para solos de guitarra de qualidade, todas as músicas tem um ou dois que acabam fazendo a faixa pelo menos valer um pouquinho a pena.

O disco conquista mais espaço quando tenta fazer coisas mais diferentes: seja sendo incrivelmente dramático e comicamente característico (“The Undertaker”), seja numa espécie de folk metal com influências piratas (“How do We Sleep”, que tem uma excelente introdução de bateria), seja num instrumental tradicional que mistura elementos bíblicos com doom metal (“Samson and Delilah”). Tirando essas faixas, a maior parte do álbum é power metal genérico, tentando fortemente ser um Iron Maiden da vida e falhando até nisso: “Sucks to Be You” e “Too Mean to Die” são tão genéricas que chegam a doer um pouco. E o pior é que tem faixas que tentam fazer algo um pouco diferente e mesmo assim falham, como a “Symphony of Pain” que faz solos de guitarra baseado em músicas clássicas, mas não é tão interessante assim.

A melhor faixa do álbum é a mais calma “The Best is Yet to Come”. É uma das poucas faixas do álbum que o vocal do Mark Tornillo se encaixa bem (provavelmente porque não tem que fazer muito esforço), tem um chamado no vocal que se encaixa bem na proposta da música e tem um excelente solo de guitarra (mas isso não é só dessa faixa). Existem poucos momentos em que a bateria funciona bem, como no começo de “How do we Sleep”, mas nessa faixa a bateria ganha na sutileza.

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