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Resenha: Permanent Vacation (1987)

Álbum de Aerosmith

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Uma fênix sensual e barulhenta

Por: Diogo Franco

31/01/2021

Após começar a década de 80 capotando (a ladeira abaixo já era realidade desde 79, com o pouco inspirado A Night In The Ruts), o Aerosmith decidiu com esse disco, o segundo após as voltas de Joe Perry e Brad Withford, firmar parcerias com gente do quilate de Desmond Child, Jim Vallance e Holly Knight para tentar voltar para as paradas. O resultado não poderia ser melhor, e o objetivo foi atingido graças a canções que se tornaram clássicos instantâneos como Angel, Rag Doll e Dude (Looks Like a Lady), essa última com uma história divertidíssima inspirada em ninguém menos que Vince Neil, vocalista do Mötley Crüe. Reza a lenda que o vocalista Steven Tyler ao chegar em um bar viu uma "loira" muito bonita de costas e comentou com Desmond Child algo tipo "uau, que gostosa..." e quando viu que se tratava de Vince Neil excalmou "nossa, ele parece uma dama!!!". 

Esse disco também é o divisor de águas para a banda, pois aqui começaria a era sóbria do Aerosmith, e posteriormente seu sucesso seria retomado. O alicerce para o retorno começava a ser plantado aqui, e como uma verdadeira fênix, o Aerosmith ressurgia nas paradas de sucesso, inspiradíssimo, com um instrumental poderoso, a voz de Tyler soando melhor do que nunca, as guitarras de Perry com o timbre exalando testosterona e urgência, as bases firmes de Brad Withford e o baixo gorduroso de Tom Hamilton. Porém, me perdoem os fãs da banda, neste disco a performance mais incrível como um todo fica para Joey Kramer. O som está incrível, pesado, definido, rítmico, barulhento, parecendo um cruzamento de 2 monstros sagrados das baquetas: John Bonham e Keith Moon. Se acha que eu estou exagerando ouça Rag Doll e a faixa título, além das outras aqui citadas.

O Aerosmith é o que representa a conexão perfeita entre o rock clássico do Led Zeppelin com o que viria depois, nos anos 80 e 90 com Mötley Crüe, Skid Row e Guns n' Roses. Tudo nesse disco é perfeito do começo ao fim, desde as letras, ao clima, e principalmente a produção. Perfeito e indispensável pra quem curte rock n' roll dançante, levando ao pé da letra o lema da banda que diz "Se faz barulho, use", tudo aqui funciona como uma espécie de caos organizado, com gaitas, teclados, vocais cheios de trocadilhos infames e trava línguas, mostrando que o clima de paz e alegria reinava na banda.

A partir daí o sucesso voltou, os caras dominaram as paradas no rádio, na tv, com turnês incessantes e clips na mtv, mais do que merecido pra uma banda que é uma verdadeira instituição do rock n' roll. O Aerosmith foi um dos maiores casos de renascimento musical de uma banda, fazendo ainda mais sucesso a partir de 87 do que antes, nos anos 70. Quer saber? Deixemos de papo e vamos ouvir essa obra-prima no último volume, principalmente naquele domingo que seu vizinho colocar o cd do Belo no último volume pra rolar no churrasco !

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