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Resenha: Strange Days (1967)

Álbum de The Doors

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The Doors tentando ser randômico, ao invés de bom

Por: José Esteves

30/01/2021

Com o sucesso do primeiro álbum, a banda conseguiu marcar várias apresentações em programas da época, em especial o Ed Sullivan Show, que apesar de problemática (pediram para Jim tirar da letra de Light my Fire a palavra “higher” e ele não tirou, banindo-os do programa) juntou audiência o suficiente para poderem gravar o segundo álbum com um pouco mais de tranquilidade. O que modificou um pouco a programação foi que a banda recebeu enquanto gravava o disco uma cópia avançada do “Sgt. Pepper’s”, o que os fez questionar completamente a produção do álbum. O segundo disco conquistou disco de platina e é considerado um dos pontos altos da carreira da banda.

O primeiro álbum conseguiu caminhar em cima de linha tênue entre singles, psicodelismo, abstratismo e personalidade de uma forma que o produto final ficou melhor do que a soma das partes: esse álbum claramente não. O Sgt. Pepper’s causou o pior tipo de impressão na banda, a impressão de que a produção diferenciada era randômica, e não intencional, fazendo com que momentos do disco tenham um clima bem perto de “Being for the Benefit of Mr. Kite”, mas sem direção nenhuma. Para completar, John Densmore não faz muito dos seus swings jazzísticos e a voz do Jim Morrison, na maior parte do álbum, não encaixa tão bem. O baixo do baixista de estúdio Douglas Lubahn funciona bem, mas ele não era para ser o foco do disco.

Se houvessem faixas de qualidade para encher o disco, talvez ele brilhasse mais, mas tem certas coisas que são eles tentando refazer o primeiro álbum, e ninguém quer isso. A última faixa do álbum, “When The Music’s Over” é uma tentativa de satisfazer a fórmula do primeiro álbum com uma grande faixa fechando o disco. O único problema é que enquanto The End é melancólica e cheia de ecos, perfeito para uma duração de dez minutos, “When The Music’s Over” é mais pop e convencional, com momentos de cacofonia e dissonância, se tornando basicamente uma lista de clichês negativos do The Doors. É claro que existem faixas boas no álbum: “Moonlight Drive” sai da experimental “Horse Latitudes” e é uma mistura pouco convencional de blues e pop, e a “People Are Strange” merece atenção especial pelo jeito que a melodia do vocal conduz a música, ao invés dos outros instrumentos.

A melhor faixa do álbum é a inspirada em blues “Love Me Two Times”. Virou um hit famoso da banda por uma razão, conseguiu mesclar bem as sensibilidades blues com o teclado e o vocal encaixando perfeitamente bem com a faixa. É uma das poucas faixas que a bateria tem aquela puxada mais jazz que tinha no primeiro álbum, e apesar de ter um teclado um pouco mal produzido, reminiscente do 4-track (apesar de ter sido gravado dessa vez em 8).

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