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Resenha: Queens Of The Stone Age (1998)

Álbum de Queens of the Stone Age

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Uma estreia impecável

Por: Expedito Santana

27/01/2021

Depois de encerrar os trabalhos de uma das bandas que ajudou a criar e popularizar o stoner rock, a aclamada Kyuss, Josh Homme partiu então para aquela que seria talvez a sua empreitada mais exitosa, justamente o Queens of The Stone Age (QOTSA), antes, porém, ainda iria ter uma passagem colaborativa curta pelo Screaming Trees. O fato é que a veia experimental de Homme, acentuada anteriormente no projeto The Desert Sessions, em Palm Desert, acabou por auxiliar na concepção de um som incisivo e variado, cujas influências vão de Beach Boys a Black Sabbath. 

Neste disco homônimo que marca a estreia do QOTSA, Homme (vocais e guitarra), que inicialmente também havia gravado todas as linhas de baixo sob o pseudônimo Carlo Von Sexron, contou ainda com a participação do multi-instrumentista, cantor e compositor Nick Olivieri (Mondo Generator), também ex-integrante do Kyuss e que assumiu o baixo, Dave Catching na guitarra e teclado, e fechando a trupe mais um ex-Kyuss, o baterista Alfredo Hernandez. Antes do disco ser lançado, vale lembrar que Matt Cameron, ex-baterista do Soundgarden, o guitarrista John McBain e os baixistas Van The Kid Corner e Mike Johnson também tocaram na banda por um breve período. Essas constantes mudanças de formação, inclusive, seriam uma constante em toda a trajetória da banda. 

O álbum foi produzido em um intervalo de apenas duas semanas e parte expressiva dos instrumentos, conforme já adiantado acima, foram gravados pelo próprio Homme, cuja liderança ficaria bem clara desde aquele período incipiente da banda. Lançado em setembro de 1998 pela gravadora Loosergrove e financiado pela própria banda, o disco teve uma boa e surpreendente repercussão à epoca, revelando um som peculiar, turbulento e enérgico. Embora ainda fosse possível identificar reminiscências do Kyuss no rock do QOTSA, o fato é que as camadas sonoras de distorção fabricadas por aquele grupo de músicos já indicavam que algo novo surgia ali e pedia passagem.   

“Regular John” até hoje é uma das aberturas mais impactantes do rock na minha opinião, calcada em riffs pesados e magníficos de guitarras acompanhados de uma bateria martelada de Hernandez, balança as estruturas e não deixa “pedra sobre pedra”. Logo em seguida, quando você pensa: ah!! será que o disco vai continuar em bom nível!!??, os ritmos quebrados de “Avon” comandados pela guitarra suja e o vocal suave de Homme mostram que os caras não estão para brincadeira. O solo distorcido é a cereja no bolo de chocolate padrão de qualidade QOTSA. 

Sem perder a força, mas apostando num ritmo mais balançante, “If Only” tem solos soberbos de guitarra e uma batida cativante construída por palhetadas viscosas. “Walkin' On The Sidewalks” é uma faixa que não me agrada tanto com seu ritmo quebrado, mas possui ótimos trabalhos de guitarras e bateria. “You Would Know” inicia por meio de um barulhinho do que parecem ser teclas de um telefone convencional, posteriormente emulados pelos licks psicodélicos de guitarra, possui cadência mais calma e um vocal abatido e meio alucinado de Homme. 

“How To Handle A Rope” é um rock enérgico que lembra Nirvana na introdução por conta de suas distorções de guitarra, porém, logo à frente o cenário muda com as cordas evoluindo em riffs potentes alinhados a uma bateria agressiva. Ótima canção que deixa a assinatura nítida do QOTSA.  “Mexicola” é encarnação do som desértico da banda, calcada num baixo vigoroso desde a introdução e riffs pesados e ruidosos pavimentando o caminho, mas seguidos de perto por uma incansável bateria e os vocais de Homme assumindo tons nervosos e carregados. Uma das melhores!!

A peça instrumental “Hispanic Impressions” tem um trabalho percussivo em destaque e linhas rítmicas de baixo e guitarra em clima de jam session roqueira. A faixa “You Can't Quit Me Baby” ostenta um baixo marcante e por vezes abrasivo, guitarras em segundo plano e, dessa vez, riffs mais suaves, com Homme protagonizando vocais ligeiramente melódicos. Bem próximo ao final o conjunto instrumental resolve acelerar e instala um instante de caos. Essa canção traz um componente estelar e climático ao som da banda que remete a Kyuss, principalmente por seus timbres graves de guitarra.      	
 
As duas últimas faixas, “Give The Mule What He Wants” e “I Was A Teenage Hand Model”, chegam quando praticamente o jogo já está ganho, mas é onde as surpresas ainda estão por vir. A primeira apresenta logo de cara o baixo pujante e segue guiada por uma guitarra uivante e intensa. As harmonias vocais de Homme são espetaculares aqui e os riffs de guitarra intensos. A segunda, com seu piano bizarro e vocais alienados, inebria a mente e revela uma mistura sonora que não pode ser vista em qualquer lugar, na verdade, eis que surge a feição camaleônica típica do QOTSA tão presente também nos trabalhos subsequentes da banda. 

Uma estreia impecável!!

Tracklist:
Regular John (4:35)
Avon (3:23)
If Only	 (3:21)
Walkin' On The Sidewalks (5:03)
You Would Know (4:16)
How To Handle A Rope (3:31)
Mexicola (4:54)
Hispanic Impressions (2:45)
You Can't Quit Me Baby (6:34)
Give The Mule What He Wants (3:10)
I Was A Teenage Hand Model (5:01)

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