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Resenha: To Our Childrens Childrens Children (1969)

Álbum de The Moody Blues

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No caminho certo, mas ainda bastante aquém à promessa de Days of Future Passed

Por: José Esteves

27/01/2021

O sucesso do “On the Threshold of a Dream” deu capacidade para a banda criar sua própria gravadora: eles ficariam sob a influência da Decca Records, mas ainda assim, uma gravadora própria não é pouca coisa. Em homenagem à chegada do homem a lua, eles gravam esse disco conceitual que é relativamente bem sucedido.

O Moody Blues nunca foi uma banda de proeminência individual, se relegando mais a um conjunto do que a solistas. Esse álbum foge um pouco do pop progressivo do disco anterior, mas ainda falha em alguns aspectos, não de forma tão absurdamente errada quanto o “On the Threshold”. Fato é que ele se aproxima algo tanto do rock progressivo da época, com algumas influências indianas e alguns efeitos ambientais reminiscentes do rock progressivo da época, tanto do “Days of Future Passed”, usando elementos de música erudita e orquestral que funcionam razoavelmente bem. Foco, também, aos vocais de Justin Hayward, que funciona bem para o que o álbum é proposto, e de Ray Thomas, que dão uma influência infantil à um disco que tem como tema a eternidade do ponto de vista de uma criança.

Assim como o Threshold, esse álbum fecha com as piores faixas: o final se desmancha em baladas etéreas e preguiçosas demais, que fazem o foco e o interesse de todo o projeto sumirem (“Candle of Life” e “Watching and Waiting”, surpreendentemente, o single publicado). Porém, tem faixas que usam temas indianos que dão outra camada de progressividade ao projeto (“Sun is Still Shining”) e ele começa promissoramente com o medley “Eyes of the Child”, que inclusive tem em seu núcleo “Floating”, que é a música semi-infantil em que Ray Thomas canta. Outro ponto interessante são as duas baladas folk de violão “I Never Thought I’d Live to be a Hundred” e “I Never Thought I’d Live to be a Million”, que são idênticas, amarrando o conceito.

A melhor música do álbum é “Gypsy (Of a Strange And Distant Time)”, se apenas pelo fato de que ela é a música com mais abrasividade rock do disco inteiro. Nessa música o vocal do Justin Hayward se sobressai e a base rock tem uma qualidade mais rock progressivo do que pop anos 60, apesar de a produção do álbum como um todo ter sido fortemente anos 60.

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