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Resenha: Aladdin Sane (1973)

Álbum de David Bowie

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David Bowie impressionado depois de um começo esquisito

Por: José Esteves

21/01/2021

Rise and Fall of Ziggy Stardust and the Spider from Mars e uma apresentação em Top of the Pops transformaram David Bowie em um sucesso do dia para a noite. Para promover o álbum, o vocalista sai em turnês, chegando a conhecer os Estados Unidos no processo; esse processor da sua chegada aos Estados Unidos o sobrecarrega um pouco, além de o fascinar, o que motiva-o a começar a escrever seu próximo álbum, entre os shows da turnê. O álbum lançado viria a ser um dos maiores sucessos da sua carreira, conquistando disco de platina, além de se tornar um ícone visual comparável ao prisma do Dark Side of the Moon. Muito consideram esse álbum o melhor álbum de todos os tempos, além de figurar na lista da Rolling Stones de melhores álbuns de todos os tempos.

Se existe um nome que deveria ser lembrado desse álbum, mais do que os outros, é Trevor Bolder, o baixista. O que ele faz com o baixo nesse disco o coloca forte como candidato pra melhor baixista de todos os tempos. Infelizmente, a direção que o David Bowie decidiu tomar nesse novo álbum, por se sentir intimidado pelas novas influências, foi se colocar junto com os outros instrumentos na parte da produção. O álbum começa com faixa após faixa com paredes de som de cacofonia e o vocal do David Bowie tendo que sofrer pra acompanhar. O álbum melhora com o passar das faixas, mas em algumas faixas, a noção de que o artista em foco desse álbum é o vocalista é surreal; especialmente com Mick Ronson, no piano, fazendo essas harmonias de jazz cacofônicas as vezes por cima da letra do Bowie, que já não tem um vocal tão distintivo assim.

De faixa a faixa, depois de superado o início, o álbum é eficiente, a partir da quinta faixa, “Cracked Actor”, uma dos rocks mais simples que acabam complementando bem, depois do início sobrepujante. Depois dela, tem baladas estranhamente boas, cheias de dissonância progressiva (“The Prettiest Star”) e algumas faixas inofensivas o suficiente para serem aceitável (“The Jean Genie” é um blues rock e só, o que era o suficiente num álbum tão convoluto quanto esse). Provavelmente, a pior coisa desse álbum é quando o piano ataca e começa a fazer essas passagens desarmônicas e jazzísticas, ignorando completamente a música por baixo (a faixa título “Alladin Sane” tem um momento bem desagradável quanto a isso), o que é estranho se a última faixa, “Lady Grinning Soul”, consegue manter essas harmonias de piano em cheque funcionando muito bem.

A melhor faixa do álbum é “Time”, com um piano bem eficiente. Essa faixa está o mais perto do que seria se o Queen e o Pink Floyd se juntassem pra lançar uma música juntas. Toda a prepotência e realeza do Queen, misturado com a sobriedade e frieza do The Wall, funcionam incrivelmente bem com o vocal do Bowie, principalmente quando ele embarca em teatralidades, parecendo alguém gritando de cima de um palco para um público vazio. Provavelmente faixas como essa atingiam mais o lado vulnerável do cantor, ao invés da opulência do começo, e por isso ele não queria fazer um álbum só com dessas, mas o lado B funciona bem melhor que o lado A.

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