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Resenha: Private Parts & Pieces IX - Dragonfly Dreams (1996)

Álbum de Anthony Phillips

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Seguindo o fluxo conhecido de uma fórmula já consagrada

Por: Tiago Meneses

19/01/2021

Mais um ótimo disco do mestre do violão de doze cordas. Como já é de se esperar, as faixas são bastante suaves e relaxantes, portanto, não foram feitas para animar festas ou sociais como os amigos, mas por outro lado, são boas pedidas para um jantar romântico, por exemplo. Outro ponto sempre pertinente a ser mencionado quando falamos de Anthony Phillips é a qualidade praticamente sempre garantida, porém, você nunca sabe exatamente qual tipo de música você vai ouvir – ainda que certas características nunca mudem e muito da formula está sempre ali. Neste caso, temos um disco de música principalmente instrumental, com uma leve inclinação na new age. Mesmo que a maioria do álbum seja baseada principalmente em violão, também há algumas utilizações de teclados. O disco possui dezoito faixas, sendo as nove primeiras representando a Dragonfly Dreams Part I, enquanto que as demais representam a Dragonfly Dreams Part II.

Dragonfly Dreams Part I:

“Openers” representa aquilo que o seu nome transmite, trata-se uma abertura suave ao violão. “In The Valleys”, acústica e cheia de suavidade, podemos dizer que é “mais música” do que a faixa anterior. “Something Blue” tem uma atmosfera bastante folk, porém, o conceito geral não mudou. Apesar de toda suave, há um momento no seu fim que é mais sereno e a torna mais bonita. 

“Quango” possui menos de um minuto, mas carrega uma vibração jazzística maravilhosa. “Lostwithiel” leva o disco para uma grande mudança de direção, lembrando um pouco algo de Synergy ou Tangerine Dream devido o arranjo mais eletrônico. Os teclados são muito atmosféricos e consegue transmitir uma ideia bastante new age. “Under The Ice” soa quase como uma extensão da peça anterior, também atmosférica, a faixa cria uma espécie de clima belo e desolador. 

“Sarah Blakeley's Evening” é uma faixa com muito mais balanço, digamos assim. Definitivamente esta faixa poderia figurar em algum disco do Genesis da era clássica. Uma faixa mais potente e vibrante e tem um grande valor no disco mesmo com menos de um minuto e meio. “She'll Be Waiting” é a única música do disco com vocais reais, inclusive, eles estão muito bons aqui. É dividida entre uma parte mais rock progressivo e outra mais folk rock. “Still Time”, finaliza a primeira metade do disco muito bem, uma peça curta com violões intrincados bem ao estilo de Phillips. 

Dragonfly Dreams Part II:

“Hills Of Languedoc”, um violão suave é quem também conduz esta peça. Existe uma energia bastante forte na música, como se as notas quisesse nos falar algo. “Luigi Palta's Confession”  possui uma sonoridade que acena mais para o rock – porém acústico – criando uma vibe folk rock definitiva do disco. “The Tears Of Pablo Paraguas” começa com um fade in em que texturas atmosféricas vão emergindo dando forma a esta peça. Um dos momentos mais serenos do disco. 

“Melancholy Flower” tem um nome que deixa tudo autoexplicativo, uma faixa com a beleza de uma flor, mas também muito melancólica. “Night Song” possui alguns vocais femininos operísticos, mas eles são usados mais como uma instrumentação – por isso mais acima eu disse que “She'll Be Waiting” é a única música do disco com vocais reais. Uma faixa muito bonita e lenta, além de bem atmosférica. 

“Chinese Walls” é a grande epopeia do disco com mais de dezessete minutos. Começa com alguns elementos acústicos em texturas complexas e lentas. O que não é novidade em uma música assim é que ela vai crescer em sonoridade gradativamente. O volume da faixa em si não aumenta, mas ela vai se cadenciando em uma série de movimentos e temas e às vezes se intensificando. É difícil até mesmo de acreditar que se trata de uma música tão longa, pois mesmo sendo apenas no violão, ela em momento algum deixa o ouvinte cansado ou com a sensação de estar ouvindo algo redundante, além de que o tempo enquanto se escuta ela simplesmente parece voar. 

“Old Faithful” possui algumas texturas atmosféricas do teclado belíssimas enquanto que Phillips tece algumas lindas melodias no violão. “Summer Ponds & Dragonflies”, um violão muito delicado vai surgindo aos poucos. Esta música lembra em grande parte o trabalho de Ant junto ao Genesis. “Lost And Found” é a faixa que encerra o disco. Na linha mais eletrônica, ela leva o disco para um clima mais divertido antes de chegar ao fim. 

Se você já ouviu alguns discos do músico e nunca se encantou, já aviso que Private Parts & Pieces IX - Dragonfly Dreams também não vai lhe servir, afinal, não se trata de uma obra inovadora ou revolucionária dentro do catálogo de Phillips, mas um álbum que segue o fluxo conhecido de uma fórmula já consagrada que pavimentou boa parte de sua brilhante sua carreira.

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