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Resenha: Out There (2003)

Álbum de Rick Wakeman

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Ótimas composições e belos arranjos em uma entrega de sons edificantes

Por: Tiago Meneses

18/01/2021

Ainda que não tenha sido esta a minha primeira impressão na época que eu o ouvi, hoje considero Out There um ótimo disco. Totalmente diferente do que Wakeman havia feito em seus álbuns anteriores, possui alguns sons quase metal – meio power metal pra ser mais específico se levarmos em conta o início do álbum – que me surpreenderam. Mas também pode ser considerado maciçamente sinfônico, com muitas passagens musicais ricas e complexas. Se em alguns momentos soa motivador e enérgico, em outros sentimos um ar mais assustador e triste. Não se trata de uma gravação solo típica que se pode esperar de Rick, pois elas são bem arranjadas e elaboradas visando o grupo, sendo assim, não é um disco feito para Wakeman brilhar em torno das teclas assumindo total protagonismo.

“Out There” é uma faixa épica composta por sete movimentos e que dá início ao disco. Wakeman não escrevia uma música boa como essa havia muito tempo. Inicia através de uns maravilhosos arranjos de cordas – reproduzidos no teclado – e vai se transformando em uma música de boa complexidade. A faixa possui um momento mais pesado e de ritmo acelerado que poderia soar até mesmo com o Irion Maiden – claro, se os sintetizadores não tivessem lá também. Ainda tem ótimos momentos de suavidade e um solo de sintetizador analógico em que Wakeman já dá o seu cartão de visita. 

“The Mission” é a faixa que podemos chamar de a mais – e talvez única - radiofônica do disco. Quase um pop rock bem trabalhado, ela carrega alguns solos de guitarra muito agradáveis. O estilo usado aqui por Wakeman sem dúvida foi algo inédito até aquele ponto de sua carreira – lembrando que o ano é 2003. Bom de ouvir também é a interação de órgão e guitarra que compõem a peça. 

“To Be With You” é uma faixa sombria e temperamental que depende fortemente de um loop de bateria industrial e um teclado atmosférico, como se tivesse atraindo o ouvinte para um mundo obscuro e sedutor. Os vocais principais de Damian Wilson e os coros estão em destaque nesta faixa. O clima alcançado pela faixa é assustador e eu particularmente adoro estar envolvido nele. 

“Universe of Sound” começa através de uma levada hard rock que eu esperaria muito mais de uma banda como o Deep Purple do que de um disco do Rick Wakeman. A música possui um enorme contraste em relação à faixa anterior. Por volta dos quatro minutos a música decola para uma “batalha” de teclado e guitarra envolvendo Wakeman e Ant Glynne. 

“Music of Love” é uma peça bastante sinfônica e que se concentra muito mais na melodia. Os teclados de Wakeman estão excelentes e são mantidos em segundo plano. É interessante ver o quanto o mago consegue soar bem sem necessariamente dominar a faixa. Possui um solo de guitarra excelente e um de sintetizador que é melhor ainda.  

“Cathedral of the Sky” já começa de uma maneira bastante impactante, em um estilo extremamente clássico desenvolvido em órgãos de igreja e um belíssimo coro. Extremamente enérgica, a faixa se concentra muito mais em seus lindos arranjos ao invés de exibições virtuosísticas. O disco encerra através de uma bela composição de grane harmonia que faz lembrar Wakeman nos seus melhores momentos da carreira, como por exemplo, em Six Wives of Henry VIII.

Out There mostra um Rick Wakeman sem a ânsia de querer dominar a música quase que arrogantemente e ignorando os músicos que o acompanham, mas ainda assim ele consegue se destacar, pois estamos falando de Rick Wakeman e o que não falta ao mago são recursos para brilhar sem necessariamente apagar todos ao seu redor. Um disco onde as composições são ótimas, os arranjos cuidadosamente bem feitos e a sua execução é excelente graças à união de uma banda que nos entrega um som edificante.

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